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Dica de leitura: Livre para voar (Ziauddin Yousafzai e Louise Carpenter)

Ziauddin Yousafzai tem cinco irmãs e um irmão. A família, composta por sete filhos, orgulha-se dos dois filhos homens, valorizando e superestimando todas as conquistas deles, ao passo que as vozes e identidades femininas são caladas e ignoradas. Ziauddin manifesta desde criança uma dificuldade na fala, que resulta em uma gagueira. Ironicamente, ele e o irmão – ambos com dificuldades para falar – são mais escutados e reconhecidos pela família que as irmãs. Elas, sem nenhuma dificuldade para se comunicar, são invisibilizadas dentro da própria casa e na sociedade paquistanesa como um todo. Apesar de viver nesse contexto, Ziauddin tem uma visão de mundo diferenciada em meio à sociedade em que está inserido. Coloca-se em uma posição questionadora e inconformado com a falta de voz e de espaço atribuído às mulheres de sua família, como sua mãe, irmãs, tias etc. É um homem que acredita no poder do estudo e da dedicação, defendendo o conhecimento acessível a todos, sejam homens ou mulheres.

Quando criança, mesmo com toda a dificuldade na fala, decide participar de competições de oratória em sua escola – muito comuns na época. Outras crianças zombam dele, perguntando se ele iria mesmo participar do concurso. Ziauddin, com auto-confiança e determinação, surpreende a todos e é o primeiro colocado. Queria impressionar seu pai, quem o incentivava muito para que estudasse e se dedicasse. O sonho do pai era vê-lo formado em Medicina. Entretanto, esse era o sonho de seu pai, não o seu.

Nas sociedades patriarcais as crianças são vistas como propriedade dos pais. Ziauddin não queria ser propriedade de seu pai, queria ter suas próprias ideias, seu próprio caminho, querias ser livre para voar. Queria ser professor, profissão pouco valorizada e reconhecida, mas amada por ele. Era apaixonado pelo estudo e encantado pelas possibilidades que a educação poderia lhe trazer e trazer ao mundo. Sonhava em abrir uma escola, sonho que mais tarde pode realizar, abrindo uma escola de ensino fundamental no Vale do Swat onde mora com a esposa e os filhos.

Em sua infância, ele, o irmão e o pai comiam primeiro e ficavam com as melhores fatias de carne. Depois, a mãe e as irmãs sentavam-se à mesa, ficando com o que havia sobrado e também encarregando-se de todos os afazeres domésticos. Comer com mulheres na mesma mesa era proibitivo e até desrespeitoso. Ziauddin é responsável por iniciar o processo de mudança cultural dentro de sua família, derrubando valores e práticas patriarcais. Permitir e até incentivar que sua esposa fosse ao mercado, ao hospital ou a qualquer local desacompanhada de um homem era mal interpretado, mas aos poucos os familiares mais próximos foram se acostumando com a forma de agir e de se comportar dele e da esposa Toor Pekai.

O casal tem três filhos: Khushal, Atal e Malala. O casamento com Toor Pekai fora arranjado pelas famílias, mas o amor e admiração eram intrínsecos e ocorriam desde antes do arranjo do matrimônio. Malala, que crescera em um ambiente familiar menos repressivo, costumava brincar que também teria um casamento arranjado, mas – no caso – arranjado por ela mesma.

Durante as refeições, Ziauddin, Toor Pekai, Malala, Khushal e Atal sentavam-se juntos à mesa. Esses momentos eram de confraternização, não deveriam haver distinções entre os filhos homens, a filha mulher ou a esposa. Desde criança, incentivava Malala para que ela jamais se sentisse subestimada ou tivesse seus talentos e habilidades tolidos. Malala ama estudar e desde criança parece compreender a importância da escola. É a aluna mais dedicada de sua classe, tem os materiais sempre organizados, livros e cadernos na mais perfeita ordem e notas exemplares.

Apesar dos esforços, nem todas as ideias consideradas vanguardistas de Ziauddin conseguem ser implementadas. A Escola Khushal, que levava o nome de um dos seus filhos, foi aberta com turmas mistas, em que meninos e meninas estudavam juntos. A iniciativa, porém, foi reprovada pela maioria das famílias, que não consideravam adequado que suas filhas adolescentes convivessem com meninos, o que era interpretado como desrespeitoso contra a honra das garotas pela tradição pachton. Ziauddin insistiu e tentou manter as turmas mistas por um tempo, mas acaba cedendo às pressões, caso contrário, a escola iria à falência. Além disso, o fato das meninas estudarem, mesmo em turmas exclusivas para garotas , já era vanguardista em uma sociedade em que a norma era sequer as mulheres terem o direito de estudar. Uma história aparentemente inacreditável quando percebemos que essa é a realidade do Paquistão no início dos anos 2000.

Em 2007 o regime de talibanização começa a dominar o país. A rádio comandada pelo Talibã anuncia o fim da educação feminina a partir de janeiro de 2009. Nesse contexto, Malala – que já era uma liderança estudantil -, juntamente com outras garotas, dá prosseguimento aos estudos de forma extra-oficial na Escola dirigida por seu pai. As meninas precisam estudar de forma escondida. É cada vez mais perigoso que elas saiam na rua, ainda mais desacompanhadas, mesmo para ir à escola no pequeno vilarejo de Mingora. Em 2012, Malala já havia escrito um blog para a BBC sob um pseudônimo, contando sobre as restrições de seu país, a violência, os ataques armados e as infinitas dificuldades para estudar. Tornara-se uma liderança jovem nas escolas da região, sendo considerada como uma ameaça ao Talibã, que acaba atacando o ônibus onde ela estava e desferindo-lhe um tiro na cabeça. A menina escapa da morte e todos os detalhes da luta da família por sua sobrevivência são narrados pelo pai de forma emocionante na obra.

Ziauddin conta ainda que por pouco o filho Atal não estivera no mesmo ônibus no dia do ataque. Graças ao fato de ser considerado um menino agitado e desobediente que não queria viajar no ônibus escolar sentado, naquele dia o motorista havia o deixado para trás como forma de repreensão. No dia do atentado Malala é socorrida às pressas, recebe os primeiros socorros no Paquistão, mas dada a gravidade do quadro é transferida de helicóptero para o Reino Unido. A menina passa por uma cirurgia de emergência para remoção da bala em seu crânio e por meses de recuperação. O quadro é dramático, pois a família não sabia se ela sobreviveria e se ficaria com sequelas. Felizmente a garota sobrevive e a consequência mais grave que tem é um dos lados da face caído, sem movimentos, o que mais adiante é reparado através de nova cirurgia.

Malala, que já era reconhecida e premiada no Paquistão, pelo ativismo e luta pelo direito à educação feminina, em 2014 recebe o Prêmio Nobel da Paz. O pai narra no livro o impacto desse reconhecimento até então inimaginável, o sentimento de orgulho e a gratificação.

Relata ainda sua difícil adaptação à vida no Reino Unido, em Birmingham, onde a família passa a morar desde o atentado que atingiu Malala. Os três filhos passam a frequentar a escola em um novo contexto, deparando-se com uma nova cultura completamente diferente da sua. As escolas eram mistas, onde meninos e meninas conviviam com naturalidade. As meninas e mulheres andavam desacompanhadas nas ruas e não cobriam o rosto. Na perspectiva que a família estava habituada no Paquistão, as mulheres do Reino Unido andavam praticamente peladas. O choque cultural foi imenso, mesmo sendo a família Yousafzai considerada bastante avançada para seu tempo.

Ziauddin não entendia porque os filhos muitas vezes não o respondiam quando estavam no computador, parecendo ignorar sua autoridade de pai. Admite que sentia falta de alguns valores de autoridade e respeito de sua posição paterna como ocorria no Paquistão. Aos poucos compreende que os filhos estavam tornando-se cidadãos, críticos e reflexivos, que não necessariamente estavam apenas brincando ou jogando. Muitas vezes estavam fazendo a lição de casa, pesquisando temas importantes. Com o passar do tempo, foi acostumando-se ao novo contexto. Era uma realidade em que meninos e meninas estudavam juntos, não havia uma grande hierarquia entre pais e filhos, a obediência não ocorria como em seu país.

Foi um choque para Ziauddin e Toor Pekai quando Atal quis convidar oito amigos da escola para dormir em sua casa. Na prática, não dormiram, ficaram jogando videogame a noite toda. Mas no Paquistão esse tipo de convite não ocorria, pois se as crianças tinham família deveriam dormir em suas casas. Aos poucos Ziauddin e Toor Pekai aprendem também com os filhos sobre a cultura do país. Ziauddin, reticente no início com o hábito até então estranho para ele, admite que acaba gostando dos garotos, da energia e da alegria de todos trazida para sua casa. Se eram amigos de seu filho, seriam seus amigos também e seriam sempre bem-vindos.

Quanto à Malala, aos vinte e um anos de idade, já não precisava da companhia do pai e de cuidados para viajar pelo mundo, fazer conferências e participar de atividades do Fundo Malala internacional pela educação das mulheres. Ziauddin, que um dia também desejou sua própria liberdade em relação à sua família, espera que a filha possa voar, ser livre para construir seu caminho e suas escolhas. Fica feliz por saber que pode estar perto ou que ela irá lhe telefonar quando precisar de algo.

Uma obra que nos faz admirar a relação entre pais e filhos, o amor e a união de uma família em meio a tantas adversidades. Um livro comovente por suas passagens dramáticas, a luta constante pela sobrevivência, a luta pela propagação da vida, a luta pela educação, a busca pela igualdade de direitos e de oportunidades. Um livro emocionante e que nos faz crescer como leitores, como cidadãos e como seres humanos.

Já havia lido há pouco tempo a obra “Eu sou Malala” e para mim a história trazida por Ziauddin no que diz respeito à Malala não foi surpreendente, mas foi complementar em relação ao livro escrito pela própria garota. O olhar do pai, o desespero para salvar a vida da filha, o orgulho e a satisfação por ela se tornar quem se tornou, a alegria que transborda ao peito quando ela recebe o Prêmio Nobel da Paz, as conquistas diversas, são pontos trazidos de forma muito latente e intensa em “Livre para voar”. Pude conhecer mais a fundo Ziauddin e Toor Pekai. Fica evidente que as bases familiares foram fundamentais para propiciar à Malala os voos que alçou. Isso não retira ou desmerece o mérito de sua luta, mas é preciso observar que sua voz teve eco porque encontrou, dentro da própria casa, a força que precisava para romper com uma cultura retrógrada, patriarcal e subjugadora a qual as mulheres no Paquistão estão submetidas.

Posso dizer que tornei-me fã da família Yousafzai. Passo a admirar Malala profundamente por tudo que ela é e representa para a humanidade. Ziauddin, porque trouxe as bases e o apoio para que Malala se tornasse esse ícone que é hoje. Ele que, em meio a suas próprias contradições, incentivou a filha para que alçasse voos longos e libertadores. Toor Pekai, por ser uma mulher sábia e batalhadora, que mesmo sem o conhecimento formal ou os diplomas escolares e acadêmicos, trouxe luz e sabedoria à família. “Livre para voar” é uma lição de vida, generosidade e esperança para um mundo que necessita de forma urgente de educação e amor.

Indicação de leitura: “Ser André Werkhausen Boone”

Eu considero que um livro é bom quando chego ao ponto de não querer terminá-lo para prorrogar o tempo em contato com a obra. Se acabo optando por e interromper a leitura para sobrarem páginas para o dia seguinte é porque o volume é realmente incrível. Foi assim com a obra “Ser André Werkhausen Boone” (Editora Amstad, Nova Petrópolis, 2018), de autoria do próprio André Werkhausen Boone. O André é um dos autores da nossa coletânea Histórias de Baixa Visão, a qual tive a alegria de organizar. Participou de nossa primeira edição (2017) e da 2ª edição – Revista e Ampliada (2018). Sempre conversamos por whatsapp e trocávamos ideias literárias. Eu sabia que ele estava escrevendo um livro próprio contando sua trajetória e relação com a deficiência visual. Tinha certeza que seria uma obra importante e que acrescentaria muito nesse campo. Entretanto, mesmo já tendo conversado bastante com o ele e até participado de alguns eventos e lançamentos do nosso livro juntos, não conhecia detalhes de suas vivências que só foram possíveis compreender a partir da leitura da obra completa.

André era um jovem considerado “normal”, dentro do senso comum do que seria uma pessoa sem deficiência. Durante o Ensino Médio em Nova Petrópolis, cidade pacata da serra gaúcha, começa a sentir sintomas de dores no joelho que não passavam e acabam se espalhando pelo corpo todo. Sem entender o que acontecia consigo, buscando explicações de médico em médico, de hospital em hospital, dependendo de consultas e exames que demoravam e respostas que não vinham, vivenciou todos os problemas de acesso a saúde pública em uma pequena cidade do interior. Foi ao lado da mãe, dona Silvani – uma mulher batalhadora, que ganhou todo o meu respeito e admiração a partir da obra – que percorreu hospitais de Nova Petrópolis, Caxias do Sul e Porto Alegre em busca de respostas enquanto seu quadro de saúde só se agravava.

A partir da leitura do livro você vai entendendo, junto com as memórias do autor, como André sai de uma condição de tetraplegia, sem controle de braços e pernas, sem sensibilidade e força nos membros, sem controle das necessidades fisiológicas e uma infinidade de medos e incertezas – inclusive sobre a continuidade da própria vida – para a condição de “somente cego”. Tornar-se uma pessoa cega, mas caminhando, escutando, se deslocando, sem alterações cognitivas, acaba configurando-se como uma importante conquista nesse contexto.

Reconstruindo e ressignificando toda sua existência, André – já na condição de cego e no auge de sua adolescência – precisa se afastar da escola para passar pela reabilitação. Teria que aprender a fazer as mesmas coisas que fazia antes, agora sem a visão. Muitos tropeços e dificuldades no caminho. Problemas de falta de acessibilidade de toda ordem: no transporte público, calçadas, sinaleiras, orelhões e objetos aéreos pela cidade atrapalhavam sua locomoção e autonomia. Com pitadas de bom humor e sem nunca desistir, o autor cria um novo significado para a palavra “testar”. Segundo ele, significaria a partir de então “colidir com a testa”.

A leitura de “Ser André Werkhausen Boone” é um convite a se repensar nossos posicionamentos diante das adversidades da vida. A superação de questões graves de saúde, a crença em soluções mesmo quando os médicos diziam que nada poderia ser feito, a vitória diante de abalos emocionais profundos, contornando a depressão e a ansiedade. A autodeterminação e jamais a resignação. A luta pela vida em todas as suas dimensões e com toda a intensidade possível e impossível. Passei a admirar ainda mais o autor e indico a leitura da obra para todos.

Do ponto de vista literário, o livro divide-se em capítulos curtos, bem estruturados, que terminam deixando gosto de quero mais. A continuidade está no capítulo seguinte e assim sucessivamente, de forma que a leitura de mais de 200 páginas é muito rápida e fluida. Além do aprendizado enquanto ser humano, o autor traz um retrato muito fiel da realidade de sua cidade, das rotinas e problemas do interior, de sua escola e de seu bairro Pousada da Neve. Aprendi mais sobre o cotidiano dos “neopetropolitanos”, nome até então desconhecido por mim para designar os nativos dessa encantadora cidade. Conhecia Nova Petrópolis apenas pelo ponto de vista turístico, mas nunca tinha tido a perspectiva de quem mora e vivencia o local para além das atrações destinadas a visitantes, bem como das comidas e bebidas convidativas do inverno gaúcho.

O contraste entre três cidades, de pequeno, médio e grande porte – no caso Nova Petrópolis, Caxias do Sul e Porto Alegre – é um ponto amplamente explorado na obra pelo olhar apurado e atento do autor, que – em paralelo a sua história e drama pessoal retrata o contexto social em que vivia e apresenta o universo de sua família e das dificuldades enfrentadas por todos. Dona Silvani, trabalhadora de uma fábrica de calçados, precisava o acompanhar nas viagens e médicos, sem abandonar o emprego. Foi o caminho até o trabalho da mãe sozinho uma das grandes vitórias na busca por recuperar sua autonomia para o deslocamento após a perda da visão. André, que já conhecia as localidades quando enxergava, redescobre seus espaços, caminhos, sons, cheiros e movimentações após tornar-se uma pessoa cega.

A vida tranquila, as árvores frutíferas, as galinhas no pátio de casa, a decisão de não levá-las a panela por tornarem-se de estimação, o conhecimento de toda a vizinhança pelo nome, a visita aos mais chegados. São elementos cotidianos e marcantes da vida no interior, mas impraticáveis nas grandes cidades. Ele depara-se ora com o saudosismo e a nostalgia de sua cidadezinha, ora com a admiração, o encantamento e o entusiasmo quando se deslocava para os grandes centros em busca de tratamento e respostas aos problemas de saúde que o acometiam. O bater de sua bengala pelos obstáculos das cidades grandes, o emaranhado de comércios pelo centro de Porto Alegre, os bares e restaurantes, as infinitas vozes, barulhos de ônibus, buzinas, camelôs, grandes avenidas para atravessar. Situações já desafiadoras para qualquer pessoa que vive no interior e visita uma cidade grande, mas ainda um desafio maior quando se faz tudo isso sem enxergar.

O título me deixou emocionada em diversos momentos, por me identificar com muitos pontos trazidos pelo autor e também por conhecer tantas questões diferentes e que fugiam completamente da minha realidade. André Werkhausen Boone traz a importante lição de que “sem sonhos, não há lutas”. Não se considera um vencedor, mas “um constante lutador”. Um livro para ler, reler, emprestar e divulgar aos amigos. Disponível nas versões impressa e digital, acessível para pessoas com deficiência visual. Para aquisição, entre em contato através do whatsapp (54) 98127 8170 ou email w.booneandre@gmail.com.

Programa Papo no Balcão entrevista autores do livro Histórias de Baixa Visão

Quais são as peculiaridades de uma pessoa com baixa visão? Como ela é
vista, ou não, pela sociedade? Esse público aceita facilmente o uso da
bengala ou é resistente ao equipamento? Essas e outras perguntas são respondidas no Livro Histórias de Baixa Visão, organizado por Mariana Baierle, lançado oficialmente no último dia 18 de novembro na Feira do Livro de Porto Alegre e que começa a ganhar as
prateleiras do Brasil. E como bom curioso o jornalista e locutor Renato Barbato foi conversar com quatro escritores da obra: a Mariana Baierle, a Fernanda Scolnik, o Manoel Negraes
e o Teco Barbero.

Na entrevista eles nos contam como foi a saga da criação do livro. Como
cada um participou da publicação. O que o leitor encontrará ao adquirir um
exemplar e quais os projetos de cada um para o futuro após a edição da obra.
O programa apresenta nessa edição os quadros já consagrados pela sua
audiência: Relembrando, Pensamentos e Reflexões, Papo em Notícias e o
Balcão da Cultura. As músicas então, estão imperdíveis, escute e dê a sua opinião, escrevendo
para o Papo no Balcão.

Se você quer ouvir aquela música que marcou a sua vida, peça nos nossos meios de comunicação; escreva para:
paponobalcao@gmail.com
ou ainda, mande uma mensagem via whatsapp pelo código (11), se você estiver
fora de São Paulo, para o número:
993 97 03 27. Essas ferramentas também são o canal de comunicação, para sugestões,
comentários, críticas ou elogios, não passe vontade e bata um papo com o
Papo no Balcão.

Agora é curtir o programa!

Confira os links:
http://intervox.nce.ufrj.br/radio.dv/radio/05-12/papo_no_balcao-82.wma

http://intervox.nce.ufrj.br/radio.dv/radio/05-12/papo_no_balcao-82.rm

Produção e apresentação: Renato Barbato

Locução: Ilário Zanette e Lúcia Helena

Lançamento do livro “Surdez – Silêncio em voo de Borboleta” (Patrícia Witt)

Será lançada esse sábado (5), em Porto Alegre, a obra “”Surdez- Silêncio em Voo de Borboleta”, da autora Patricia Witt. A sessão de autógrafos ocorre na Livraria Cultura do Shopping Bourbon Country.

Patrícia é graduada em Terapia Ocupacional e pós- graduada em Marketing Digital. Adora viajar, ler, escrever, ama cinema e tudo relacionado com a cultura. É surda profunda desde nascença, devido à rubéola contraída durante a gravidez de sua mãe.

Entre páginas do seu livro, ela relata sua vida e como foi intensamente estimulada desde bebê para alcançar a linguagem oral e escrita. Na adolescência adquiriu também a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Começou a escrever para si mesma, com a esperança que um dia virasse um livro e pudesse publicar para todo o Brasil. Seu grande objetivo era ajudar crianças com surdez profunda e congênita. O livro também é uma obra didática, que traz experiências reais aos profissionais de saúde, fonoaudiólogos, educadores, pais de surdos e ao público em geral.

O título “”Silêncio em Voo de Borboleta”” foi criado em função de momentos muito difíceis que a autora passou. Eram fases como a de um casulo, em que os resultados eram poucos e quase não falava. Com os estimulos, aos poucos comecou a se expressar em palavras que tinha assimilado visualmente através de leitura labial. E esta liberdade de comunicação com o mundo, segundo ela, lhe permitiu alçar “voos de borboleta”.

Até os sete anos de idade não percebia que era diferente, achava que todo mundo fazia leitura labial. Tinha uma consciência de articular os lábios para que todos a entendessem. Depois comecou a se questionar o motivo da capacidade daquelas pessoas que falavam no telefone, atendiam os chamados pelas costas, brincavam de telefones sem fio. As descobertas foram se acumulando e a aceitação foi bem natural e gradativa.

O lançamento do livro autobiográfico será esse sábado na Livraria Cultura do shopping Bourbon Country (Av. Túlio Rose, 80). Haverá uma mesa redonda às 17h, com a presença de pessoas especiais que fizeram parte de sua vida: primeira professora da pré-escola, primeira fonoaudióloga, ex-reitora da faculdade onde se formou, a mãe e a orientadora de produção textual. Às 18h inicia a sessão de autógrafos da obra.

Você pode ainda acessar o blog da Patrícia: surdezsilencioemvoodeborboleta.com/blog.