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Feriado no Espírito Santo

Estive no Espírito Santo nesse carnaval. Foi um ótimo feriado. A capital capixaba é uma ilha, com cerca de 330 mil habitantes. Vitória é a quarta cidade mais populosa do estado, ficando atrás de municípios limítrofes de sua região metropolitana – Vila Velha, Serra e Cariacica.

Uma cidade muito aconchegante, onde eu e minhas amigas fomos muito bem recebidas. Estava bem vazia nesse período porque a maioria dos moradores viaja para outras praias do litoral (onde está o maior movimento) ou para a região serrana (em busca de um destino menos agitado).

Apesar de algumas praias em Vitória serem impróprias para banho, as belezas naturais são um dos principais atrativos da região. São lindas paisagens e uma estrutura urbana que notoriamente está em processo de desenvolvimento.

O contraste entre prédios de luxo na beira-mar e favelas na encosta dos morros lembra um pouco o Rio de Janeiro. Um estado com grande potencial para o turismo e a prestação de serviços, mas que aparentemente ainda não está explorando ao máximo esses setores de sua economia.

Tanto Vitória quanto Vila Velha, por onde circulamos mais, estão em processo de expansão. A economia baseada em atividades portuárias, na pesca, no comércio, na indústria e no turismo. A construção civil está em plena expansão. Há muitos edifícios comerciais e residenciais de primeira linha e tantos outros em construção.

O Convento da Penha, em Vila Velha, é um dos mais antigos do Brasil. Construído em 1558 no alto de um monte, o local é hoje um dos principais cartões-postais do Espírito Santo. Oferece uma das mais belas vistas panorâmicas da cidade da Grande Vitória.

Na imagem abaixo, eu em primeiro plano no morro onde está o Convento da Penha.

Apareço sorrindo, imagem da cintura para cima. Estou de óculos escuros, cabelo castanho claro preso, vestido verde floreado e corpo levemente virado para a esquerda.

Uma floreira separa o mirante onde estou da descida do morro. Ao fundo, vista aérea de Vila Velha em um dia de céu claro. Da direita para o centro da foto, ponte sobre o mar que liga a ilha de Vitória ao continente, onde se encontram muitos prédios, casas e construções. Ao longe, a silhueta de um morro.

Não pude deixar de registrar alguns pontos positivos e outros negativos que observei nesses quatro dias que passei lá quanto à acessibilidade e a outras questões importantes que me chamaram atenção.

Acredito que qualquer viagem, mesmo que curta, sempre tem muito a nos acrescentar. Sempre que visito um lugar novo fico atenta às peculiaridades do ambiente e do modo de vida das pessoas. Seguem algumas observações que julgo oportunas para quem pensa em conhecer o estado (ou mesmo ´para que vocês conheçam um pouco através desse blog).

Pontos fortes

1) A maioria das calçadas possui rebaixamento para acesso de cadeira de rodas. Os carros geralmente respeitam as faixas de segurança e param para os pedestres.

2) Não cheguei a conhecer a Praia da Sereia (em Vila Velha/ES), mas a guia de um dos passeios comentou que é uma praia com boa acessibilidade para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Dispõe de bóias e cadeiras de roda para uso na areia e no mar, além de dispor de uma equipe de pessoas treinada para dar instruções e auxílio aos banhistas.

3) As praias de Guarapari e a Praia da Costa (em Vila Velha) possuem rampas de acesso para cadeirantes. Em Guarapari, havia três cadeirantes na areia no dia que eu estava lá.

4) As cidades e as praias em geral são bem limpas. Não vi sujeira na areia da praia. Em um dos dias inclusive recebi uma sacolinha plástica na beira da praia para colocar o lixo.

A foto abaixo mostra a faixa de areia sem nenhum lixo, com o mar ao fundo, na praia de Cambori, em Vitória. O mar não tem muitas ondas. Ao longe, um homem está sentado na areia, de costas para a foto e de frente para o mar. Um pouco mais ao fundo há cerca de dez pessoas. Na linha do horizonte, veem-se morros. O céu está nublado.

5) Para chegar na Praia do Cambori é preciso passar por uma ponte. Nela, existe uma calçada para pedestres. Me chamou atenção o fato de que nesse espaço há corrimão dos dois lados da calçada. Isso aumenta a segurança e facilita o deslocamento de pessoas com mobilidade reduzida.

6) O calçadão na beira da praia de Vitória é bem amplo. Possui uma calçada grande para os pedestres e uma ciclovia. Inclusive para atravessar a rua há um espaço demarcado para os pedestres e outro para as bicicletas. O que falta ainda é uma sinalização tátil para os deficientes visuais.

Pontos fracos

1) Estive em um restaurante em Vitória chamado Pirão da Ilha, que fica na Ilha das Caieiras. Lá comi a famosa moqueca capixaba (hummmm!). O restaurante fica no píer, onde se tem uma linda paisagem para fotos. Há muitos barcos circulando e atracados, além de uma natureza é fascinante.

As mesas ficam na beira do mar, em um deck de madeira coberto em parte por um grande guarda-sol. Até ai, tudo bem. Contudo, para impedir que ele seja carregado pelo vento, o cabo foi amarrado ao parapeito do píer, de maneira que as cordas ficaram atravessadas a cerca de um metro do chão. São cordas finas, atravessadas na diagonal completamente no meio do caminho.

Essas cordas atrapalham a todos, pois são de difícil visualização e impedem a livre passagem das pessoas. Creio que locais que pretendem atender bem o turista devem se preocupar com essas questões, que são fundamentais para que os clientes sintam-se confortáveis no ambiente.

Para mim, trata-se inclusive de um fator determinante na hora de pensar em retornar ou não ao estabelecimento. Fios atravessados como essas são verdadeiras armadilhas para quem não enxerga ou tem baixa visão. Dificultam também a passagem de uma cadeira de rodas, de uma pessoa com mobilidade reduzida e até de um carrinho de bebê.

2) Vitória e Vila Velha, como já disse, são cidades vizinhas, separadas apenas por uma ponte. É inacreditável, mas há um pedágio cortando as duas cidades!!! Um absurdo sem tamanho! Aliás, Vila Velha é completamente cercada por pedágios, um no limite com Vitória e outro no limite com Guarapari. Os políticos que autorizaram um pedágio entre cidades tão próximas devem ter recebido muita propina… Uma situação lastimável.

3) A Praia dos Namorados, em Guarapari, é uma região lindíssima, mas não aconselho ninguém a ir durante o carnaval. A faixa de areia fica simplesmente intransitável, com um paredão de guarda-sóis e cadeiras que impedem até a vista para o mar.

Para caminhar até o mar era preciso percorrer um labirinto por entre as pessoas, baixar a cabeça para passar pelos guarda-sóis, pular as pessoas deitadas na areia. Uma situação muito desconfortável e complicada para mim e creio que para todos que estavam lá. Minha amiga brincou que deveria ter uma faixa de areia preferencial para pessoas com deficiência bem em frente ao mar. Diante da dificuldade que foi para mim circular por aquele emaranhado, acho sinceramente que seria uma boa ideia.

Os bares e restaurantes da região da orla de Guarapari também tinham imensas filas. É um destino turístico muito frequentado, mas que não tem capacidade para comportar o volume de pessoas que recebe durante o carnaval, deixando os espaços saturados.

4) O aeroporto de Vitória é muito pequeno. Com apenas um andar térreo, estava super lotado, com pouco espaço nos balcões de atendimento das companhias aéreas, além de sanitários com longas filas e precária estrutura de alimentação e comércio. Está saturado para o fluxo de passageiros que recebe, o que infelizmente não é uma novidade entre os aeroportos brasileiros.

PARTICIPE VOCÊ TAMBÉM!!!
Mande para o Três Gotinhas observações e fotos da sua cidade ou locais que você visitou. Coloque seu nome completo, cidade onde as fotos foram tiradas e os seus comentários.
Email: tresgotinhas@gmail.com

Obstáculos urbanos

A quantidade de obstáculos e espaços inacessíveis que dificultam a locomoção pelas ruas é imensa. Essa semana resolvi sair de casa com a máquina fotográfica para registrar alguns exemplos.
Em uma caminhada de cerca de 15 minutos próximo à minha casa em Porto Alegre já foi possível encontrar inúmeras situações. São obstáculos e barreiras que dificultam ou impedem a livre circulação de pessoas cegas, com baixa visão, com mobilidade reduzida ou cadeirantes.

Na primeira foto, a imagem horizontal de uma calçada com uma das lajes levantada. Duas pedras estão faltando, formando um buraco no piso. À esquerda, a rua asfaltada. À direita uma grade de ferro branca.

A segunda foto, tirada na vertical, mostra um poste de madeira localizado no canto de uma calçada. A uma distância de cerca de três metros dele, um fio de aço na vertical, em paralelo ao poste.

Fios de aço como esse se constituem de uma verdadeira armadilha para deficientes visuais. Já que são muito finos, geralmente a bengala não consegue os identificar. Esse está na vertical, mas em muitos casos esses fios de aço são colocados na diagonal em relação à calçada, representando um perigo maior ainda. A pessoa que não enxerga pode bater as pernas, a barriga ou até a cabeça. No meu caso, que tenho baixa visão, consegui ver o poste de madeira (que é bem grosso), mas o fio de aço é praticamente impossível, pois ele é muito sutil e desaparece na paisagem urbana, já tão poluída por diversos elementos.

Na terceira foto, a imagem horizontal de uma calçada com galhos de árvore e um monte de terra obstruindo parte da passagem. À esquerda, a rua asfaltada. À direita, um muro de pedra, onde os galhos e a terra estão em parte encostados.

A quarta foto, tirada na vertical, mostra um orelhão do lado direito de uma calçada. À esquerda da calçada, uma casa e à direita, a rua.

Os orelhões representam um risco para deficientes visuais por constituírem-se de um obstáculo aéreo, o que impede sua identificação através da bengala. Seria necessário que todos os orelhões tivessem algum tipo de marcação no solo para que a pessoa com deficiência visual pudesse desviar deles sem o risco bater a cabeça.

A quinta imagem, na horizontal, mostra uma calçada com galhos de uma palmeira caídos à direita e o poste que sustenta uma placa à esquerda. Ao fundo está a rua asfaltada e prédios.

PARTICIPE VOCÊ TAMBÉM!!!
Esses foram apenas alguns exemplos de barreiras encontradas corriqueiramente nas ruas da cidade. Se você também transita por espaços inacessíveis, tire uma foto e encaminhe para o TRÊS GOTINHAS com o seu depoimento. Será um prazer publicar a sua foto! Mande também seu nome completo, cidade onde foi tirada a foto e a descrição da imagem. Aguardo sua participação!
Email: tresgotinhas@gmail.com

Agora o Três Gotinhas é “.com.br”

Pessoal! Hoje é um dia especial. É o dia em que o Três Gotinhas virou gente grande e se transformou em um endereço “.com.br”. Sejam bem-vindos ao www.tresgotinhas.com.br! A partir de hoje quem entrar no endereço antigo será automaticamente redirecionado para essa nova página. De qualquer forma, peço que atualizem o link em seus favoritos e repassem aos amigos!

Trago também como novidade a descrição do logo e de elementos visuais importantes do layout. Sei que ainda há muito a ser melhorado em termos de acessibilidade. De qualquer forma, trata-se de um passo na nossa constante luta por tornar todos os ambientes (físicos e virtuais) mais acessíveis. Aproveito para agradecer a consultoria fundamental da minha amiga Marilena Assis, que fez contribuições imprescindíveis para a descrição dos elementos visuais da página. Agradeço também o Gustavo Sartori, que realizou o projeto do site. E, principalmente, agradeço aos leitores que têm prestigiado o blog.

Audiodescrição torna Tangos e Tragédias acessível ao público com deficiência visual

O espetáculo Tangos e Tragédias, em cartaz nas temporadas de verão em Porto Alegre desde a década de oitenta, este ano terá uma sessão com audiodescrição. Será no próximo dia 26 (quinta-feira) às 21h, no Theatro São Pedro. A audiodescrição, realizada em única sessão pela Mil Palavras Acessibilidade Cultural, destina-se ao público com deficiência visual total ou parcial.

Através desse recurso as pessoas cegas e com baixa visão entram em contato com o espetáculo. Elas poderão conhecer o ambiente do Theatro, o cenário, a iluminação, a caracterização, os gestos, a movimentação e as expressões dos atores.

O objetivo da audiodescrição no Tangos e Tragédias, explica a audiodescritora Letícia Schwartz, é que as pessoas tenham a compreensão total do espetáculo, divertindo-se e participando das piadas e brincadeiras propostas pelos atores. Segundo ela, “os produtores culturais começam a perceber a relevância desse recurso para a promoção da igualdade de acesso aos bens culturais e a possibilidade de atingir um público maior”.

Florentina Dolores Mattes é diretora da Associção de Cegos Louis Braille (Acelb) e tem baixa visão.  Essa será a primeira peça com audiodescrição que ela irá assistir. Para ela, todos os espetáculos com elementos visuais deveriam trazer audiodescrição. “Essa iniciativa é um grande avanço em termos de acessibilidade à cultura”, observa.

Um dos protagonistas de Tangos e Tragédias, o ator Nico Nicolaiewsky, lembra que o espetáculo já está em cartaz há 27 anos. Essa será a primeira apresentação com a audiodescrição. “Acredito que tem bastante coisa para ser descrita, começando com os cabelos e as roupas dos personagens”, afirma.

 

Segundo o ator, há interesse em ampliar a acessibilidade. “Acho que o espetáculo merece ser visto por todos”, garante. Ele comenta ainda que o serviço contribui também para que o acompanhante da pessoa com deficiência visual aproveite mais a peça, sem ficar explicando o que acontece.

 

Como vai funcionar a audiodescrição no Tangos e Tragédias?

Serão disponibilizados 100 fones de ouvido às pessoas com deficiência visual.  Na chegada, os interessados devem solicitar o aparelho no foyer do Theatro, passando a entrada à direita. Em uma cabine com isolamento acústico, a equipe da Mil Palavras Acessibilidade Cultural fará a descrição de todas as imagens do espetáculo para que a narração chegue apenas àqueles que utilizam os fones, não interferindo no andamento do espetáculo.

 

SERVIÇO

Tangos e Tragédias em única sessão com audiodescrição

Local: Theatro São Pedro – Praça Marechal Deodoro – Centro – Porto Alegre/RS – Fone: (51) 3227 5100

Data e hora: 26 de janeiro (quinta-feira), às 21 horas. A abertura do Theatro ocorre 1hora antes.

Ingressos: na bilheteria do Theatro. Dias e horários: 2ª (das 13h às 18h30), 3ª a 6ª (das 13h às 21h), sábado e domingo (das 15h às 21h)

Valores: de R$ 20,00 a R$ 70,00

 

Assessoria de imprensa

Mariana Baierle Soares – jornalista