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A falta de acessibilidade em concursos públicos: encaminhamentos e repercussões

Para começar gostaria de agradecer as diversas mensagens de apoio, solidariedade e indignação que recebi de leitores do Três Gotinhas essa semana em função de todos os absurdos que ocorreram comigo no concurso para a Secretária da Saúde do RS no último domingo. Foram inúmeros comentários no blog, facebook, email e pessoalmente.

Quero que saibam que estou levando essa história adiante, pois não podemos tolerar mais esse tipo de acontecimento. Tanto se fala em acessibilidade e inclusão, o tema virou “moda” nos últimos anos, mas pouco se faz de verdade.

Mais lamentável ainda é saber que todos esses problemas ocorreram em uma prova para a Secretaria Estadual da SAÚDE, que deveria da ro exemplo aows demais órgãos e não tratar questões de acessibilidade como secundárias ou nulas.

Em primeiro lugar enviei por email para Fundatec (banca que realizou o concurso da Secretaria da Saúde do RS), através do link “Fale com o Presidente”, um relato de tudo que ocorreu comigo no dia da prova. Adivinhem se recebi alguma resposta? Certamente não. É mais fácil calar-se diante disso tudo do que tentar inventar qualquer justificativa plausível.

O texto que publiquei no blog (intitulado “Cotas para enjambração! Até quando?”) teve uma ampla repercussão. Através do apoio do amigo e ativista Felipe Mianes, a postagem foi parar na ONCB (Organização Nacional dos Cegos do Brasil) e na Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, em Brasília, nas figuras do Moisés Bauer e do Beto Pereira.

Aqui em Porto Alegre, estive pessoalmente no Ministério Público, onde fui orientada para registrar o ocorrido junto à Promotoria de Justiça e Direitos Humanos. E foi o que fiz. Me informaram que a partir da próxima semana posso verificar quem é o promotor de justiça que estará cuidando do caso. Mas, ao perguntar por prazos ou próximos encaminhamentos, não souberam me responder, apenas disseram “que demora bastante”. (Desanimador!)

Registrei, ainda, o caso juntamente À Secretaria regional do Trabalho e Emprego, no Núcleo de Igualdade no Trabalho. Eles informaram que tomariam as medidas que tivessem ao seu alcance.

Além disso, estive, na última quarta-feira (29/01/2014), em uma audiência com o secretário de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul Fabiano Pereira e com a diretora de Direitos Humanos Tâmara Biolo Soares. Na ocasião, falei sobre as inúmeras dificuldades que tive nesse concurso em específico e lhes entreguei em mãos uma cópia impressa do relato que está publicado aqui no blog Três Gotinhas.

Expliquei que eu não estava lá apenas por esse concurso em si e por tudo que tinha ocorrido comigo, mas sim por uma causa maior e por todos os concursos que virão pela frente – para mim ou outras pessoas com deficiência. Essa não é apenas uma demanda minha, mas de milhares de indivíduos que não conseguem ter seus direitos assegurados sequer em um concurso público que possui vagas reservadas para pessoas com deficiência.

Citei ao secretário diversos casos para ilustrar melhor essa realidade. O primeiro foi o de um amigo com deficiência visual que foi considerado “inapto” para o cargo de professor do Estado no momento da perícia médica (mesmo tendo passado em primeiro lugar e tendo qualificação superior à maioria dos demais candidatos – inclusive hoje ele cursa doutorado fora do pais), E eu me pergunto: Quem é inapto nesse caso, o candidato ou o concurso?

Outros casos indignantes são o de candidatos que tiveram o pedido de prova em braile negado. Ou o de candidatos cadeirantes que são colocados para fazer provas em prédios sem nenhuma acessibilidade, tendo que ser carregados em escadas, inclusive correndo risco de quedas e lesões graves.

No caso dos candidatos com deficiência visual, as bancas ainda insistem em providenciar apenas uma pessoa para ler a prova – negando-se a providenciar a prova ampliada (do tamanho solicitado) ou em braile. Isso porque é mais “fácil” para eles fazerem isso e fingirem que dão acessibilidade.

O candidato precisa se submeter a escutar todas as questões, lidas em voz alta por pessoas muitas vezes despreparadas para isso. Fazer uma prova de português nessas condições, por exemplo, é horrível, pois não sabemos onde começa e termina um parágrafo. Geralmente a pessoa que lê não faz a pontuação correta, eliminando pontos e vírgulas, o que prejudica a interpretação do texto e, consequentemente, o desempenho do candidato na prova.

Eu poderia seguir citando outros tantos casos, mas esses já são bastante representativos.

Fazer um concurso público para uma pessoa com deficiência hoje é sinônimo de estresse e ansiedade. Isso porque não sabemos que tipo de percalço teremos pela frente. Ao invés de poder me focar em estudar para a prova e no conteúdo em si, a preocupação caba sendo anterior. Como será o dia da prova? Terei minhas demandas atendidas? Terei minha prova ampliada? Do tamanho certo que eu pedi ou será aquela “enjambração” de sempre?

Quero poder me inscrever em qualquer concurso e ficar tranqui8la, me preocupando – como todas as outras pessoas que prestam concursos – apenas com o conteúdo que vai cair na prova. Quero me inscrever para qualquer concurso e ficar relaxada, certa de que terei minhas demandas atendidas e meus direitos respeitados.

Infelizmente, a acessibilidade em concursos ainda é uma enjambração completa. Eu e muitas outras pessoas estamos tendo coragem de denunciar tudo isso. Mas penso também naqueles que sequer chegam saor de casa e prestar provas por já terem sofrido essas dificuldades ou saberem que inevitavelmente irão passar por isso também. (Até quando?!)

No fim das contas a reunião com o secretário de Justiça e Direitos Jumanos do RS Fabiano e a diretora Tamara Biolo Soares terminou com o comprimetimento deles de abertura de uma audiência pública sobre acessibilidade em concursos públicos. Aproveito a oportunidade para mobilizar outras pessoas que tenham enfretado dificuldades de acessibilidade em concursos a compartilharem suas experiências. (O Três Gotinhas estará sempre aberto a publicar relatos de leitores. Aguardo participações!)

Além disso, eles se comprometeram a enviar oficialmente meu registro à secretaria de Saúde do Estado Sandra Fagundes para que ela tome ciência das irregularidades desse concurso. Afinal, a Secretaria da Saúde contratou a Fundatec para executar a prova, mas é também responsável pelo concurso.

Enviei ainda esse relato para o Adilso Corlassoli, que é assessor de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e está engajado na melhoria das condições de acessibilidade em concursos públicos. Aproveito para agradecer o apoio dos amigos Silvia Manique e Rafael Giguer, que também estão engajados na questão e contribuindo significativamente para dar visibilidade e encaminhamento a tudo isso.

Espero que todo o meu esforço não seja em vão. Vamos ficar no aguardo dessa audiência pública. Vamos ficar no aguardo do posicionamento do Ministério Público. Algo precisa acontecer (não apenas nesse concurso, mas para que não ocorra nos próximos).

Cotas para enjambração! Até quando?

Hoje (26/01/2014) pela manhã fui fazer prova para o cargo de jornalista para a Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul. A minha prova foi realizada na PUCRS. Chegando lá, para minha surpresa, todos os candidatos com necessidades especiais estavam na mesma sala – o que é estranho, pois já fiz vários concursos e sempre fiquei em uma sala separada. Isso porque preciso ditar as respostas para o fiscal transcrevê-las para a folha ótica. A fiscal disse que na hora de transcrever eu iria para outra sala.

Isso também é, no mínimo, complicado , pois eles teriam que fazer isso com grande parte dos candidatos que estavam ali, gerando um “entra e sai” de pessoas, o que pode desconcentrar os demais.

Além disso, nem todos os candidatos que estavam nessa sala tinha baixa visão. Então colocar candidatos com prova ampliada e com outras necessidades na mesma sala também é um erro, porque a prova ampliada pode ser mais facilmente visualizada por quem enxerga bem, o que facilita a cola de questões.

Mas esse foi o menor dos problemas. O mais grave mesmo foi que solicitei, inclusive no laudo médico que precisamos entregar no ato da inscrição, que minha prova fosse realizada em fonte ARIAL BLACK 22. A prova que me entregaram, (que era supostamente ampliada) tinha uma fonte no máximo 16. Era uma fonte que, além de pequena, estava apagada e fraca – apenas um xerox em folha maior. Não era uma prova impressa originalmente ampliada, o que diz muito sobre a qualidade do material.

Para quem tem baixa visão, cerca de 10% como é o meu caso, é essencial que as letras tenham bastante contraste, que sejam impressas bem “gordinhas”. Não adianta colocar aquelas letras fininhas, apagadas, desenhadas e rebuscadas só para ficar “bonito”. Tem que ser funcional, tem que ser forte e ter muito contraste. Por isso a Arial Black é ideal no meu caso. Preciso também sentar em um local bem iluminado para fazer a prova. De preferência perto de uma janela, mas sem o sol bater diretamente nos meus olhos. Cada pessoa com baixa visão tem suas demandas específicas.

A prova deveria começar às 9h (e os demais candidatos, de fato, começaram no horário). Quando recebi meu caderno de questões e vi que a prova não tinha minha ampliação fiquei extremamente nervosa, decepcionada e irritada. Todos os últimos concursos que fiz passei dificuldades em termos de acessibilidade. Quando fiz a solicitação de atendimento especial mandei para Fundatec inclusive (em carta registrada) um “Modelo de Ampliação de Prova”, com uma lauda inteira impressa no tamanho solicitado (para que eles pudessem entender do que eu estava falando). Ainda assim, de nada adiantou.

Reclamei então com a fiscal que aquela fonte era a solicitada. Depois de muito tempo ela voltou na sala e me disse que aquela prova que me entregou era o “tamanho padrão de ampliação”. Enquanto todos os outros faziam já suas provas, fiquei aguardando cerca de meia hora por uma solução.

Foram trinta minutos intermináveis e constrangedores. Estavam todos fazendo sua prova e eu lá, parada, sem saber o que fazer, com o tempo da prova passando! Aguardava por uma solução que não viria.

Finalmente, quase às 9h30min (meia hora depois do início da prova), arrumaram uma pessoa para ler a prova para mim. Ironicamente era uma intérprete de Libras! Acontece que algum surdo faltou, então a mandaram a interprete ser minha ledora. Nesse momento sai da sala muito nervosa e fui fazer a prova no auditório da Faculdade de Administração. Sabia que seria prejudicada por aquela situação. Tanto em termos emocionais – pois estava passando por um constrangimento e um estresse desnecessários – quanto por não ter as condições solicitadas. Uma coisa é você ler sua própria prova, reler quantas vezes quiser, ter autonomia e liberdade para ficar indo e vindo nas questões. Outra coisa é alguém ler para você. Isso sempre traz maior dificuldade de concentração e de entendimento das questões.

A intérprete que me atendeu, apesar de não ser especializada nisso, teve bastante boa vontade, ajudou a me acalmar e leu com uma boa entonação e dando a pontuação correta nos textos. Ela teve bastante paciência, indo e vindo nas alternativas quantas vezes eu pedisse.

Contudo, a prova não foi lida apenas por ela, mas por três pessoas que se revezaram, pois lá pelas tantas ela já estava ficando sem voz. Os outros dois ledores, apesar de também se esforçarem, foram bem piores. Havia termos em inglês e nenhum deles sabia pronunciar. Havia sinais e símbolos matemáticos na prova de raciocínio lógico e eles não sabiam sequer me dizer quais eram.

Mais grave ainda foi a prova de informática. Quase todas as questões eram essencialmente visuais. Exigiam que você interpretasse um desenho com ícones, setas e janelas do computador. O ledor mal sabia me explicar o que estava na imagem. Disse que tinham alguns “quadradinhos” e “setinhas” pra “lá” e pra “cá”. (Que beleza de adaptação para alguém com deficiência visual, hein?)

Seria fundamental que as questões com imagens já viessem com a descrição devidamente elaborada por um profissional audiodescritor. Não tem como o próprio ledor da prova ter que ficar descrevendo improvisadamente na hora da prova. Primeiro porque o ledor não é qualificado para isso. E segundo porque não há tempo hábil para ser gasto com muita descrição de imagens na prova. É muito mais exaustivo, tanto para o candidato quanto para o ledor, fazer uma prova oralmente.

A descrição de imagens segue padrões específicos para quem tem deficiência visual e precisa ser feita de forma objetiva. É por isso que exista audiodescrição e pessoas capacitadas para fazer isso. Mas parece que as bancas de concurso preferem fingir que não sabem disso!

Eram dez questões de informática e todas assim. Acabei tendo que chutar todas na mesma letra. Um absurdo. Uma prova completamente inacessível em todos os aspectos. Além do mais, o candidato com deficiência visual pode usar leitor ou ampliador de tela. Como saberá responder sobre questões essencialmente visuais que envolvem a informática? A forma das pessoas com deficiência interagirem com o computador é completamente diferente.

Me senti agredida e desrespeitada por, mais uma vez, passar por tanto estresse e constrangimento em um concurso público. Tive o auxílio dos ledores, tive pessoas que tentaram resolver a situação na hora e de forma “enjambrada” de sempre. Mas cansei de enjambração. Pedi a prova com fonte arial Black 22 há mais de um mês antes do concurso. Não há justificativa para isso. Não pode haver um “padrão de ampliação”.

Quero minha autonomia para fazer a prova. Não quero outras pessoas lendo para mim. O fato é que existem as cotas, mas nenhum concurso é feito com as devidas condições para o candidato. Até quando vamos fazer de conta que se faz inclusão? De que adianta a reserva de vagas, se dentro do próprio concurso as pessoas são prejudicadas dessa maneira?

A audiodescrição como parte do espetáculo

Nesse final de semana tive a alegria de assistir algo inédito no Brasil: a primeira peça de teatro feita com audiodescrição aberta. Ou seja, não havia fones de ouvido na sala e todo o público pode escutar a audiodescrição da peça “A menina do cabelo vermelho”, da Las Brujas Companhia de Arte e Feitiço. O espetáculo contou a história de Filó (interpretada por Lolita Goldschmidt), uma menina sonhadora que tem o cabelo vermelho e vive no mundo preto e branco. Com muita imaginação, alegria e descontração Filó viaja pelo mundo e por lugares coloridos, conhece diferentes pessoas, culturas e sensações.

Como consultora da Tagarellas Audiodescrição, tive o privilégio de assistir todos os ensaios diariamente uma semana antes da sessão com AD e Libras (que ocorreu nesse último sábado, 18/01). Tive um sentimento único ao presenciar a AD sendo ensaiada junto com a peça. Isso para mim foi algo único e muito significativo, pois os atores e o diretor realmente incorporaram a AD como parte importante do espetáculo.

Até pelo fato da AD ser aberta, não havia como os atores não prestarem atenção nas descrições. Todos foram extremamente generosos com a equipe da AD, repetindo cenas e nos indicando deixas ou momentos importantes da peça e até se preocupando com os intervalos para que pudéssemos descrever. Obviamente a não queríamos que a AD interferisse na peça, o que de fato não aconteceu. Conseguimos, com todos os ensaios, adequar os tempos da AD ao tempo do espetáculo.

No grande dia da apresentação foi tocante ouvir a voz de Livia Dávalos no microfone, no mesmo volume da voz dos atores. Toda plateia que lotou o Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo, em Porto Alegre, escutou a descrição do cenário, figurinos, ações e expressões dos personagens.

A AD realmente fez parte daquele espetáculo. Não soou estranho ou artificial, mas trouxe uma sensação de respeito e acolhimento com as pessoas cegas ou com baixa visão. Pela primeira vez quem não tinha deficiência visual precisou “adaptar-se” ao espetáculo com acessibilidade.

Acho que não foi um esforço tão grande, pois o relato de quem não tinha deficiência foi de alegria e entusiasmo, justamente por conhecer, através da peça, uma nova forma de fazer teatro. Uma formula que, com um pouco de magia e feitiço, contempla a todos – não somente aqueles que enxergam ou escutam o mundo da forma convencional.

Sempre fui uma entusiasta da AD aberta por inúmeros motivos. O primeiro é que trata-se de uma oportunidade de mostrarmos ao público em geral o que é AD. como ela acontece e o quanto ela é importante. O segundo motivo é porque melhora consideravelmente minha experiência enquanto usuária do recurso. Isso porque quando uso um fone de ouvido preciso escutar com um ouvido a AD e com outro o som ambiente do espetáculo. Há, nesses casos, um esforço maior para “montar” as duas bandas sonoras mentalmente e entendê-las como parte de um único todo.

Quando estou no cinema ou no teatro, quero me focar no enredo, nos personagens e no desenrolar da trama. Quero que a AD seja uma ferramenta para isso e que nunca seja mais importante que a produção artística em si. Quando uso um fone com a AD rente ao meu ouvido sinto como se aquele som estivesse mais perto de mim do que o som do espetáculo (e realmente está). Por consequência, é como se o áudio da AD fosse mais relevante do que o som ambiente – quando, na verdade, deveria ocorrer o contrário. A atração cultural em si sempre será o foco do espectador que vai prestigiá-la.

Em “A menina do cabelo vermelho” não foram as pessoa com deficiência visual que tiveram que ficar de fones para não incomodar os demais. Foram as pessoas que enxergam que puderam experimentar e perceber como esse recurso é fundamental para quem não pode ver.

A iniciativa de Las Brijas mostra uma nova forma de conceber o mundo. Uma nova forma de pensar em arte. Arte para todos. Teatro para todos e sem restrições. Teatro com acessibilidade já para as crianças e adolescentes, pois apostar na infância é apostar no futuro. Trazer AD e Libras já para os pequenos contribui com a formação do público infanto-juvenil, incentiva o gosto pela arte e pelo entretenimento desde cedo. As crianças que tem a oportunidade de ir a esse tipo de espetáculo hoje serão adultos com um entendimento de mundo diferente amanhã.

É por tudo isso que tenho orgulho da Las Brujas. Tenho orgulho por saber que fui parte do processo de contaminar positivamente Livia Dávalos e Lolita Goldschmidt, ex-alunas do curso de AD dado por mim, Felipe Mianes e Tagarellas no início do ano na UFRGS. Tenho orgulho em ser consultora de AD de uma peça como essa – que veio para marcar a história e a forma de fazer AD no país.

Uma nova forma de pensar a arte está surgindo. Isso me faz acreditar que, sim, podemos ser uma gotinha no oceano, mas talvez seja suficiente mudar o mundo e torná-lo mais justo e mais acessível para todos.

Apps interessantes

Existem alguns apps que podem facilitar e muito a vida de quem deficiência visual. Alguns desenvolvidos especialmente para esse público, outros para o público em geral. Mas quero deixar aqui minhas sugestões daqueles que me chamaram mais atenção até o momento. Se você tiver dicas de aplicativos, por favor comente esse post e compartilhe comigo suas experiências!

Vou começar pelos apps que acho que ainda podem ser melhorados. Se você fizer uma busca na appstore por “OCR” e “lupas de aumento” vai ver que existem muitas opções. Algumas são pagas e outras free. Eu só baixei os free, então talvez existam melhores caso você pague por eles. Mas entre os que baixei deixaram a desejar bastante. O OCR confunde muitas letras, troca o “O” pelo zero ou outras coisas mais graves. Em todos os apps de OCR você precisa tirar uma foto e aguardar que ele faça a conversão. Nenhum é muito rápido. E alguns você recebe o texto somente por email, o que é bem chato.

A lupa também é bem demorada para conseguir focar. Ela também usa a lente da câmera fotográfica e é bastante sensível a qualquer movimento. Por isso pra quem tem baixa visão é complicadinho, mas acho que pode ajudar para olhar algum preço ou algo bem específico (desde que nada muito extenso, pois é bem cansativo o processo para conseguir focar).

O “Dragon Dictation” é um aplicativo que você fala o texto em voz alta e ele transcreve para texto. É free e em português! Ele faz alguns erros na hora de converter para texto, mas vale a pena. Você pode apenas corrigir o texto depois, sem ter que digitar tudo Pode copiá-lo da tela de edo~]ap do aplicativo para email, safari, whatsapp, twitter etc.

O “EasyTaxi” é uma facilidade. O taxi que eu pedi ontem chegou em menos de um minuto. Aparece a estimativa de espera para você. O nome do motorista, o carro e a placa. É muito prático, além de seguro. Minha única sugestão é que tivesse um campo para o passageiro dizer se tem alguma necessidade especial. Isso facilitaria para o taxista identificar a pessoa e já saber quais são suas demandas, além de ser mais prático para o usuário. No caso da pessoa com deficiência visual ela ficaria tranquila, pois sabe que o taxista vai encontrá-la. Enfim, uma sugestão para os desenvolvedores adicionarem ao app. Já mandei email sugerindo, mas não obtive resposta.

No “Kindle” você poder comprar livros e revistas na Amazon ou baixar muitos que são gratuitos. Você pode escutar todos em áudio através do voiceover, O legal é que dá pra fazer marcações no texto, ouvir soletração, buscar palavras no dicionário, avançar as páginas etc. Ele volta para o mesmo ponto que você parou mesmo quando você fecha e abre de novo, não importan depois de quanto teempo.

Para quem tem deficiência visual os arquivos em PDF sempre foram inacessíveis, pois não permitem aumento de letra e não são ativeisveis com leitor de tela. Mas com o Kindle essa realidade mudou. Você cria a conta ma Amazon e recebe um email da kindle. Através desse email você pode receber arquivos em PDF e ele converte automaticamente para áudio. Basta enviar o email com o título “convert” e o PDF em anexo. Ai você entra no seu app Kindle, vai em “sincronizar” e pronto. Os arquivos em PDF irão automaticamente estar na sua pasta “documentos” dentro da biblioteca. Não precisa abrir email nem nada, eles entram lá automaticamente. É fantástico!

O app do “Dropbox” é outra facilidade. Trata-se de uma pasta virtual em que você pode colocar todo tipo de arquivos e acessar pelo app, site do dropbox ou no seu próprio computador. É possível colocar músicas, arquivos em áudio, vídeos, textos em doc, pdf etc. Você pode inclusive compartilhar pastas com amigos. Bem prático e funciona muito bem. Gratuito também para até 2GB. Se quiser mais espaço pode pagar para adquirir.

De todos os aplicativos que descobri sem dúvidas o mais fantástico é o “Tap Tap See” (www.taptapseeapp.com/). Com ele você tira fotos de qualquer coisa e ele descreve pra você a imagem. Sim, ele descreve objeto, a imagens ou pessoas. Por exemplo, uma garrafa de cerveja ele diz até a marca e se a garrafa está aberta ou fechada. Uma pessoa ele descreve se é homem ou mulher, se está sorrindo e como é a roupa. Ele descreve até paisagens. Obviamente não é rico em detalhes. Descreve os elementos principais, mas dá uma boa ideia da foto.

É em português, mas parece uma tradução tosca do inglês como um “Google translator”. Por isso algumas coisas ficam fora de ordem ou parecem desconexas. Mas de modo geral o app é fantástico. “TapTapSee” é free apenas por um dia. Depois ele te pergfunta se você quer continuar com ele, então você precisa pagar. Tem valores diferentes dependendo do número de fotos que você pretende tirar.

Acabo de descobrir, através da dica da querida Luciane Molina, o “Camfind”, um app similar ao TapTapSee, mas gratuito. Acabei de baixá-lo. A primeira diferença é que ele tira a foto, descreve a imagem e abre uma janela automática com algum site vendendo a produtos similares a imagem fotografada. Tirei uma foto do meu quarto. Ele descreveu a imagem e automaticamente me jogou para uma página vendendo roupa de cama. Tirei uma foto minha, ele descreveu a foto e abriu uma página de venda de vestidos, similar ao que eu estava usando. Isso é um pouco chato, pois me todas as imagens ele remete à venda de algum produto. Mas basta fechar essa janela e usar o app apenas na função de descrição das imagens.

Outro app que está me encantando é o “Drums”. Você pode tocar bateria no iphone! Existem apps que simulam todos os instrumentos musicais. Nunca tive muita familiaridade com bateria, mas estou adorando e até inventando alguns ritmos. Ah, o “Drums” é gratuito, mas tem um problema grave: só funciona com o voiceover desligado. Como faço então? Vou até o app, abro ele e desligo o voice over com o auxílio da Siri ou tocando o atalho de três vezes a tecla “home”. Uma pena que não tenha sido pensando de forma compatível com o voiceover, mas consegui driblar essa dificuldade e estou me divertindo com ele.