Todos os post de Mariana Baierle

DEZ DICAS PRÁTICAS PARA INICIANTES NO VOICEOVER

Resolvi compilar minhas principais dúvidas nesse período inicial de aprendizado do voiceover, pois acho que podem ser uteis para outras pessoas que também estejam aprendendo. Se você tiver dúvidas ou sugestões sobre o voiceover, por favor compartilhe comigo também!

1 – Como faço para copiar e colar links?

Se você estiver no Safari e quiser copiar o link, por exemplo, vá na barra de endereços que fica no topo da tela (segundo item da esquerda para a direita). Dê dois toques na barra de endereços e vai aparecer o link que lá está digitado. Use o rotor e procure a opção “editar”. Passe o dedo para baixo para navegar nas opções do rotor até chegar em “selecionar tudo”. Dê dois toques na tela. Passe o dedo para a direita, varrendo até encontrar a opção “copiar”. Depois você vai no email ou local que deseja colar o link. Usando o rotor, vá em “editar” e depois em “colar”.

2 – Como faço para deletar um app que não quero mais no iphone?

Selecione o app que você quer deletar. Tenha certeza que está em cima do app e dê dois toques na tela, mantendo o dedo pressionando no segundo toque. V ocê vai ouvir um barulhinho a opção perguntando se quer realmente deletar o app. Ao terminar de apagá-lo, aperte uma vez o botão “home” para sair do modo de mover / editar apps.

3 – Dentro do telefone, como faço para chegar nos meus contatos direto na letra desejada (sem ter que ir passando a agenda inteira)?

Você pode tocar no lado extremo direito da tela e ouvir “índice ajustável”. Você pode tocar duas vezes rapidinho, mantendo o dedo pressionando no segundo toque. Então você ouvirá um barulhinho. A partir disso, você pode movimentar o dedo para cima e para baixo e navegar rapidamente pelo índice alfabético do telefone. Outra opção é selecionar no rotor a opção “títulos” e ir passando o dedo para cima e para baixo que o voiceover saltará de letra em letra na sua agenda.

4 – Como faço para mudar o voiceover para inglês? E como deixar esse atalho fácil para ser acessado qdo eu entrar em algum link que exija que a leitura seja feita em inglês?

Você vai ter que colocar essa opção no rotor. Entre em “ajustes”, “geral”, “acessibilidade” e “voiceover”. Procure rotor e duplo toque. La dentro encontre algo relacionado a idioma e adiciona no rotor. Toda vez que quiser que o voiceover fala em inglês você deverá girar o rotor até “idioma”. Com o dedo para cima e para baixo ele irá trocar o idioma.

Para girar o rotor coloque os dedos indicador e médio na tela, meio afastados como se formasse uma letra v. Depois deixe o indicador fixo na tela e com o dedo médio gire um botão imaginário, como se estivesse girando aquelas bolinhas de mudar de estação em aparelhos de rádio antigos.

5 – Como funciona o despertador?

Abra o “relógio”. Vá em “alarme”. O primeiro botão da tela se chama “editar”, vá duas vezes para a direita com o movimento de varrer com um dedo e chegará em “adicionar”. Você terá as opções ”repetir”, onde você ajusta os dias da semana que quer que ele repita; Terá a opção “som”, para configurar o barulho que ele fará. E bem no final da tela terá a hora e o minuto que você quer.

Para ajustar a hora, é bem semelhante ao sistema de “índice ajustável” dentro do telefone, pois você clica duas vezes rapidinho, sendo que a segunda você não levanta o dedo. Então vai ouvir um barulhinho que indica que a hora ou minuto foi selecionado. Ai, é só movimentar o dedo para cima e para baixo para ajustar a hora desejada.

6 – Como faço para mandar emails para a lixeira?

Ao passear na lista de e-mails com os movimentos de varrer para a direita e para a esquerda, ao ter um e-mail selecionado que se queira apagar, passe o dedo para baixo até ouvir “põe no lixo”. Clique duas vezes e ele será apagado.
Dica: se ele não disser “põe no lixo” ou “apagar” é só mudar no rotor até “açõesE e passar o dedo para baixo que a opção de apagar estará lá.

7 – Qual a melhor forma de digitação?

Existe o modo de digitação convencional e o modo profissional. No convencional você coloca o dedo uma vez sobre a letra apenas para escutar qual é. Então você clica duas vezes nela para digitá-la. Ou seja, na verdade você precisa clicar três vezes na mesma letra para que ela seja digitada.

No modo de digitação profissional você vai colocar o dedo sobre a letra e quando levantar, ela já terá sido digitada. Para quem está começando no iphone (como é o meu caso), não é muito simples, pois estou sempre errando as letras. Então acaba não sendo tão eficiente.
Contudo, meu amigo Rafael Giguer me deu um grande truque para quem usa o modo de digitação convencional não precisar clicar três vezes na letra para digitá-la. É o seguinte: você clica na letra com um dedo e não solta. Com outro dedo você clica em qualquer lugar da tela e aquela letra será automaticamente digitada. Funciona muito bem, pois você pode ir arrastando o dedo até encontrar a letra desejada e depois só clica com outro dedo em qualquer lugar na tela.

Assim você reduz o número de toques na tela para digitar e isso agiliza muito as operações.Esse acaba sendo um intermediário entre o modo de digitação convencional e o profissional. No início a digitação parece complexa, mas na verdade é só uma questão de treino (Nunca imaginei que fosse dizer isso, mas é verdade)!

8 – Como editar textos, voltar o cursor para o meio de frases ou palavras que estou digitando sem ter que apagar tudo?

Para voltar sem ter que apagar tudo vc vai girar o rotor dentro do campo de edição até ele falar “caracteres”. Aí basta você varrer de cima pra baixo que ele vai passando o cursor caractere por caractere e você pode editar onde quiser. Se preferir andar palavra por palavra é só girar o rotor até “palavras”. Varrer também de cima pra baixo e ele lê palavra a palavra.

9 – Como navegar no Safari?

Para navegar na internet você tem que girar o rotor. Se escolher “linha” cada varrida para cima ou para baixo vai ler uma linha. Se parar em “titulo” cada varrida vai cair em um titulo. Se cair em “link” cada varrida cai num link. Entao dependendo do que você quer achar na pagina.

“Niveis de titulo”: o 1 é o mais importante, o 2 como se fosse um subtitulo e o 3 um outro subtítulo menos importante. Se você acessar “contêineres” pelo rotor vai navegar nos pontos com diferentes níveis de importância de uma pagina. É mais ou menos os espaços de uma pagina. (por exemplo: cabeçalho, conteúdo e rodapé).

10 – Como funciona o voiceover para tirar fotos?

Gente, fiquei muito impressionada com isso. Você ativa a câmera e o voiceover diz “um rosto”, “dois rostos”, “rosto centralizada”, “rosto à esquerda”, “rosto à direita”, “rosto pequeno”. Depois na hora de abrir as fotos ele diz “imagem vertical/ horizontal”, “nítida/ pouco nítida”, “com brilho/ sem brilho”. Além disso ele diz se você está tirando foto com a câmera frontal ou com a que é voltada para você. É muito prático!!! Só faltou ele dizer se as pessoas estão bonitas ou não na foto! Rs…

Descobrindo o voiceover e suas infinitas possibilidades

Faz tempo que tenho (ou melhor, tinha) dificuldade com o celular. Nunca encontra algum modelo que fosse acessível para baixa visão – que eu pudesse fazer tudo com um bom tamanho de ampliação. Foi conversando com várias pessoas com deficiência visual e pesquisando na internet que decidi optar pelo Iphone.

Mesmo ele tendo opção de zoom (que amplia bastante), a navegação é difícil com o zoom, pois você jamais vai conseguir ler um email inteiro sem ter que ficar indo e voltando nas linhas (e provavelmente se perdendo nesse processo), o que causa um grande desconforto e também leva muito tempo para algo que deveria ser simples e rápido. Além disso, seria impossível digitar com zoom, pois o teclado não aparece inteiro na tela quando está ampliado.

Então percebi que tinha mesmo que partir para o voiceover, Na verdade quem teve papel fundamental nessa decisão foram meus amigos de Curitiba Diele Pedrozo e Lucas Radaelll. Com três semanas de uso estou realmente encantada com as infinitas possibilidades do iphone e com a facilidade do voiceover.

Pensei que fosse ser muito mais difícil. Não uso leitor de tele no computador, pois tenho uma tela bem grandona e leio tudo em fonte ampliada. Fiquei com receio uso do iphone pois teria que me adaptar com um novo sistema operacional (não estou habituada com o IOS da Apple) e ainda com o uso do voiceover.

Quando fui trocar o chip do meu celular antigo para o iphone cheguei a comprar um novo chip pré-pago para deixar no celular antigo. Caso eu tivesse muita dificuldade com o iphone pelo menos não ficaria sem celular e teria o pré-pago para qualquer mergência. Para minha surpresa não cheguei a usar esse recurso por mais de uma semana. A adaptação foi muito rápida!

Usar um celular ou computador por sistema de voz muda a dinâmica de interação com o aparelho. Para minha surpresa estou apaixonada pelo sistema. Confesso que sempre tive resistência com novas tecnologias, mas agora percebo que talvez fosse muito mais em função da baixa visão do que qualquer outra coisa.

Agora por mais que eu não saiba fazer algo vou explorando o aparelho com o voiceover e não tenho dúvidas do que estou fazendo. Isso me traz inclusive maior segurança e confiança no que estou fazendo.

Antes talvez tivesse medo de fazer qualquer operação desconhecida por não saber onde estou clicando ou o que estou fazendo, visto que muitos sites e ícones não são acessíveis para baixa visão (tem pouco contraste ou não ampliam muito). Com o voiceover eu sei exatamente onde estou e o que estou fazendo,

Sei inclusive precisar quais são minhas dúvidas e vou instintivamente tentando resolvê-las ou perguntando de forma objetiva aos amigos. Acho que antes – somente com a ampliação – não sabia mexer em determinado recurso e também não saberia nem mesmo precisar qual a dúvida e onde é a dificuldade.

Nessa fase de aprendizado do voiceover e do iphone, estou tendo a alegria de contar com alguns amigos e pessoas especiais que estão me ajudando muito e dando dicas preciosas. Quero agradecer muito ao Lucas Radaelli, Rafael Giguer, Jefferson Campos e Luciane Molina. Se não fosse por eles certamente não teria aprendido tão rápido e não estaria tão feliz com todas as possibilidades que se abrem.

Mais do que uma ferramenta de trabalho ou entretenimento, o voiceover está me trazendo autonomia, liberdade no uso da internet e entusiasmo em descobrir novas possibilidades e facilidades na minha vida. Uma sensação de segurança e liberdade até então jamais vividas por mim nesses ambientes virtuais, que sempre me traziam estresse e apreensão (apenas com a ampliação das fontes).

Recomendo inclusive que outras pessoas com baixa visão também comecem a considerar essa possibilidade. Durante muito tempo evitei qualquer sintetizador de voz. Um pouco por desconhecimento, um pouco por resistência e até vontade de usar ao máximo minha visão.

Agora percebo o quanto as coisas podem ficar mais simples com o áudio. Não fico em dúvida ao entrar em algum menu. Acho que antes minha navegação era muito mais insegura e agora posso fazer as operações com confiança e até maior velocidade. Agora que aderi ao voiceover, não largo mais. É realmente excelente!

Sobre acessibilidade na rede hoteleira

No início de dezembro estive em Curitiba pude vivenciar, na prática, o despreparo de uma grande rede de hoteis no que diz respeito à acessibilidade e ao atendimento de um cliente com baixa visão (no caso, eu mesma! Ehehe). Fiquei hospedada no hotel Ibis Budget, na rua Mariano Torres.

A pessoa que fez reserva para mim, pensando em facilitar minha orientação no hotel, havia feito um único pedido ao efetuar minha reserva: que meu quarto fosse o mais perto possível do elevador, pois seria mais fácil de entrar e sair do quarto. Ela avisou que eu tinha deficiência visual e que isso poderia facilitar o deslocamento. Um pedido simples que o hotel disse que poderia atender sem problemas.

Ao chegar no hotel na primeira noite, qual foi minha surpresa? Meu quarto era o último no final do corredor, o mais distante possível do elevador! E, ainda por cima, era um quarto para cadeirante. Fiquei perplexa com a situação, pois fizeram exatamente o oposto do que tinha sido pedido: me colocaram no último quarto no final do corredor e eu não havia pedido um quarto para cadeirante. Afinal, minha deficiência é visual e não motora.

Eis uma grande confusão que as pessoas fazem com relação a quem tem alguma deficiência. Já presenciei algumas pessoas falando alto comigo ou gritando (como se eu fosse surda), o que chega a ser hilário porque se tem algo que eu tenho muito apurado é a audição!

Até mesmo nos aeroportos quando viajo sozinha alguns funcionários de companhias aéreas já me ofereceram cadeira de rodas. Ora, se eu estivesse precisando de uma cadeira de rodas não teria problema nenhum em aceitar, mas não é o meu caso no momento. Acho que as pessoas pensam que por você não enxergar bem seria mais fácil ser empurrado em uma cadeira. Esses são alguns exemplos das confusões que somos submetidos constantemente.

Voltando ao que aconteceu no hotel em Curitiba, acabei ficando naquele quarto para cadeirantes no final do carredor e longe do elevador. O fato dele ter um banheiro grande, com barras de apoio e mais espaço para cadeira de rodas não me atrapalharia em nada. O problema, sim, era o fato de que aquele quarto tinha uma qualidade bem inferior aos demais. Já havia me hospedado nessa mesma rede Ibis várias vezes. Os quartos são iguais em qualquer lugar do mundo. Ou eram, até então, pois aquele quarto para cadeirantes parecia um porão. Tinha móveis bem mais velhos, com aspecto de mau cuidados e um banheiro antigo. Não tinha sequer papel higiênico no banheiro. Parecia todo mal cuidado e meio improvisado. Um desrespeito para qualquer hospede, independentemente de ser cadeirante ou não.

De qualquer forma, me ambientei no quarto e decidi que ficaria ali mesmo para evitar confusões, pois tudo que eu queria era participar do Seminário do Projeto Ver com as Mãos, conhecer a cidade e as pessoas. Iria passar o mínimo de tempo dentro do quarto do hotel. Enfim, no dia seguinte antes de sair fui deixar o cartão (que funciona como chave do quarto e senha para o elevador – mais detalhes sobre isso logo adiante) na recepção.

Para minha surpresa, o atendente verificou o número do meu quarto e me perguntou se eu iria mudar de quarto naquele momento. Respondi que eu estava em um quarto para cadeirante que não havia solicitado, mas que não iria mudar porque já estava instalada lá e estava de saída para um evento. O atendente disse então que seria “importante” eu mudar de quarto porque iria chegar um cadeirante ao meio-dia. E o hotel só tinha dois quartos para cadeirante, sendo que um já estava ocupado por um cadeirante e o outro por mim!

Falou isso como se eu fosse a culpada por estar no quarto para cadeirantes e por eles não terem mais quartos adaptados. Perguntei, já um pouco estressada, afinal, por que tinham me colocado naquele quarto? E ele não soube me explicar. Ficamos num impasse durante alguns minutos, pois eram sete e meia da manhã, eu tinha que ir para o meu evento e só voltaria para o hotel de noite. Já estava quase atrasada para sair, não teria tempo hábil de subir e mudar minhas coisas de quarto.

O atendente insistiu para que eu fizesse isso, pois o cadeirante chegaria ao meio-dia e eu só voltaria para o hotel de noite. Aquela situação toda era bem absurda. Pois eu estava em um quarto que não havia solicitado. O cadeirante iria chegar ao meio-dia e o hotel, que tem mais de 200 quartos, so tinha dois quartos acessíveis. Se eu não trocasse de quarto essa pessoa não teria onde ficar. Contudo, a culpa dessa confusão toda não era minha, mas eu estava sendo prejudicada.

O atendente se ofereceu para, ele próprio, trocar minhas coisas de quarto. Na hora me senti bem constrangida e até invadida, pois um cara que eu nem conheço teria que ir ao meu quarto, fechar minha mala, guardar as coisas que estivessem espalhadas, pegar meus shampoos no banheiro, escova de dentes, tudo!

Na hora relembrei mentalmente como havia deixado as coisas no quarto e, por sorte, sou bastante organizada. Não havia nenhuma calcinha ou sutiã fora da mala nem qualquer outra coisa que não quisesse que ele visse. Resolvi aceitar que eles trocassem minhas coisas de quarto – única e exclusivamente em consideração ao cadeirante que iria chegar. E se eu não fizesse isso o cara ficaria sem quarto.

De qualquer forma, foi uma situação bem chata. Sai de lá pensando em como seria feita aquela troca das minhas coisas. Disse para ele que colocassem as coisas exatamente no mesmo lugar que estava e que levassem as roupas que estavam penduradas no cabide sem amassar. Passei boa parte do dia preocupada com as minhas coisas no hotel! Avisei que quando chegasse iria conferir tudo. E foi o que fiz de noite.

Por sorte, sim, estava tudo no lugar, não estava faltando nada e a troca foi feita aparentemente com bastante cuidado – era o mínimo que podia fazer após todo auqele cosntragimento. E o quarto que não era para cadeirante tem uma qualidade e uma apresentação infinitamente melhor do que quele – o que é outro absurdo! A pessoa cadeirante paga o mesmo valor pela diária e merece um quarto tão bom quanto ao demais.

Mas os problemas e dificuldades nesse hotel não param por ai…

BRINCANDO DE GINCANA NO ELEVADOR

Como comentei anteriormente, recebi um cartão magnético que funciona como chave do quarto e também cartão para acionar o elevador. Sem o cartão não é possível ir até o andar do seu quarto.

Contudo, o uso do cartão não é nem um pouco simples para quem tem deficiência visual. Ele precisa ser inserido no elevador na posição correta, sendo que não há nenhuma identificação tátil, sendo igual dos dois lados.

Ainda por cima, não são apenas dois lados para serem testados. Há a opção “para cima” e “para baixo” em cada um dos lados. Ou seja, são quatro “chances” para você conseguir acertar a posição correta do cartão. Além disso, você precisa colocar o cartão, ver quando ligou uma lusinha super fraca e então tirar rapidamente o vcartão para que o elevador vá até o andar correto.

Nossa, uma verdadeira gincana de acerto e erro dentro do elevador. Sem contar que havia apenas um elevador funcionando naquele hotel com mais de onze andares. As filas eram enormes e havia essa dificuldade enorme com o uso do cartão.

E a dificuldade não era apenas minha, mas de outros hóspedes também. De vez em quando algum alguém era prestativo e me ajudava, mas em geral eu ficava tentando até acertar a posição e a velocidade da lusinha acender e apagar para eu retirar o cartão.

Falei sobre isso com os funcionários na recepção. Eles disseram que era por segurança. É claro que eu entendo, mas poderia haver uma forma mais acessível de garantir a segurança. Não adiantada o elevador ter botões em braille se tinha toda uma “gincana” para ser feita para conseguir ir até o meu andar!

O CAFÉ DA MANHÃ

No café da manhã não havia nenhum funcionário na porta para quem eu pudesse pedir ajuda. Minha maior dificuldade é identificar o que é cada coisa no buffet (motivo pelo qual, aliás,sempre evitei os buffets). O café do hotel era grande, cheio de coisas, sem nenhuma plaquinha identificando em fontes grandes o que é cada coisa.

No primeiro dia pedi ajuda na recepção e mandaram uma pessoa que estava na cozinha do café para me ajudar. No outro dia uma pessoa da própria recepção foi até o café comigo para me dizer o que eram as coisas.

Acho muito estranho que não tenha nenhum funcionário na hora do café, pois outras pessoas podem rpecisar de algum auxílio e simplesmente não aparece ninguém!

AS BARREIRAS PARA ORGANIZAR FILA NA RECEPÇÃO

Além de tudo que já contei, ainda tive que ficar desviando de barreiras para organizar filas na recepção. Aqueles postes baixinhos com uma fita aérea, na altura da cintura, são verdadeiras armadilhas para quem tem baixa visão, principalmente problema de campo visual como eu. Você olha pra frente e não vê nada. Ao andar, cai por cima daquele negócio baixinho no meio do caminho. A bengala também não identifica, pois as fitas ficam suspensas e apenas alguns postes fininhos tocam o chão.

Acabei derrubando no segundo dia um negócio naqueles. Algo bem chato, pois havia bastante movimento na recepção e todo mundo ficou prestando atenção em mim (a desastrada!).

O funcionário me disse para ficar calma, que não tinha problema, juntou tudo do chão e colocou no mesmo lugar novamente. Durante os 4 dias que estive lá aquelas barreiras me atrapalhavam.

Alguns funcionários, por detrás do balcão da recepção ficavam me dizendo “mais para esquerda”, “mais para direita” quando eu ia passar, o que me deixava mais nervosa ainda. Não poderiam sair detrás do balcão e vir até mim, sem ficar gritando?

Bom, como vocês podem ver, foram apenas quatro dias e já identifiquei tantos e tantos problemas no hotel. De modo geral, minha viagem foi ótima e não deixo que coisas como essas me abalem. Mas conviver com o despreparo das pessoas e a falta de condiç~eos dos espaços constantemente é algo, no mínimo, irritante e desrespeitoso. É algo que temos que batalhar constantemente.

Citei aqui todos os detalhes do hotel e sua identificação, mas não quero que isso fique apenas em relato em tom de crítica. Quero que os gestores dessa rede hoteleira leiam isso e possam refletir sobre como podem aprimorar seu atendimento e a estrutura física do hotel. Acho que falta treinamento e capacitação aos funcionários, além de uma consultoria por pessoas com diferentes deficiências, que poderiam apontar as dificuldades e o que pode ser melhorado.

Espero que um dia – em breve – eu (ou outras pessoas) possa voltar a Curitiba, cidade que adorei e conquistei grandes amigos, ficar novamente nesse hotel e trazer aqui um relato diferente. Um relato de mudanças e melhorias. Às vésperas de Copa do Mundo e preocupação cada vez maior com a acessibilidade nos espaços essas mudanças são urgentes.

E hoje?

Aprendi que questionamentos, dúvidas e receios são inevitáveis

Mas eles não podem guiar ou impedir nossas escolhas

Aprendi que viver um dia, uma etapa de cada vez é sempre a melhor opção

(…)

A vida não é um cálculo objetivo

Por algum motivo fora do meu alcance quis estar perto de você

Apesar de tantas e tantas as circunstâncias contrárias

Apesar de, em muitos momentos, ter brigado comigo mesma

(…)

Muitas perguntas nos fazemos e poucas podemos responder

A única certeza que temos é que vamos nos permitir finalmente viver nosso sentimento guardado

E, sim, se o mundo acabar amanhã, estarei feliz por tudo ter valido a pena

(…)

Percebi que, diante de tantas respontas incertas, precisamos mudar as perguntas

Hoje posso te receber com um sorriso no rosto, um beijo doce nos lábios e um abraço sincero

Com gotinhas de alegria e entusiasmo

(…)

A pergunta que te faço não é sobre o amanhã

A pergunta que te faço e te digo para fazer de novo, sempre quando sentires minha falta, é outra:

“E hoje?”

(…)

A vida fica mais leve e com cores fortes

Mas nem por isso menos intensas ou verdadeiras