Vídeo inclusivo

“De Boca em Boca: um filme para todo mundo”, curta-metragem produzido pela ONG Vez da Voz. Possui áudio, legenda, tradução em Libras (Língua Brasileira de Sinais) e audiodescrição.

Além de trazer linguagens e comunicação acessível, o filme mostra situações cotidianas na vida de pessoas com deficiência.

Tocar a campainha de um prédio com interfone pode ser simples para muita gente. E se a pessoa for surda?

O trânsito em calçadas esburacadas por cadeirantes ou deficientes visuais também não é fácil. A ausência de rebaixamentos, obstáculos no caminho como sacos de lixo, pedras, galhos de árvores, orelhões, fios caídos e até carros estacionados na calçada atrapalham ou até inviabilizam a passagem.

Mas vale lembrar que não são apenas barreiras físicas e de estrutura arquitetônica que dificultam a vida da pessoa com deficiência.

Eu diria que, muitas vezes, a educação e a disponibilidade dos outros em ajudar é tão ou mais importante do que propriamente os ambientes adaptados.

O vídeo mostra ainda que não sair de perto de uma pessoa com deficiência visual sem avisá-la ou não sentar-se à mesa sem comunicá-la são pequenas atitudes que dependem apenas do bom senso das pessoas que a cercam. Simples comportamentos dos demais contribuem muito para a melhor orientação e relacionamento interpessoal do deficiente visual.

Ir ao dentista é outra atividade que pode não ser tão fácil assim quando a pessoa não enxerga ou não escuta. Nesse sentido, um dentista que saiba Libras é essencial para viabilizar a comunicação sobre questões de saúde (de extrema importância) e atender com qualidade e respeito o paciente.

O mesmo vale para outras situações de prestação de serviços, como, por exemplo, ir ao salão de beleza, restaurante, cinema, teatro, loja, supermercado, transporte.

Profissionais preparados para atender com qualidade e respeito devem existir em todas as áreas.

Vale a pena conferir o vídeo!!!

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=zJgkUFmsFWU]

 

 

Curso de Extensão na UFRGS: “Experimentações fo[car]tográficas e deficiência visual: um contra-senso?”

Voltado para o público com deficiênciavisual e demais interessados na temática. Objetiva experimentar, em quatro encontros presenciais (19/11, 26/11, 3/12 e 10/12) e em atividades à distância, as maneiras culturais de olhar e seus efeitos sobre algumas das percepções dos sujeitos.

Propõe-se a produção de um espaço em que a fotografia possa ser composta por imagens do cotidiano, feitas por pessoas com deficiência visual e que queiram refletir sobre as impressões de vida, de fluxos narrativos sobre si e de sentimentos advindos das produções fotográficas..

Mais informações: http://experimentacoesfotograficas.blogspot.com/view/snapshot#!/2011/10/blog-post.html

E-mail: experimentacoesfotograficas@gmail.com

Divulgações

PERSONAGENS DE CONTOS DE FADAS COM DEFICIÊNCIA

O projeto “Era uma vez um conto de Fadas Inclusivo” é uma coleção de 11 livros, com textos e ilustrações de Cristiano Refosco. A inspiração foram os Contos de Fadas, com o diferencial de que os os personagens principais apresentam algum tipo de deficiência. Os 11 livros terão ainda versão em áudio.

Títulos da coleção:

CHAPEUZINHO DA CADEIRINHA DE RODAS VERMELHA – Paraplegia
- BRANCA CEGA DE NEVE – Cegueira
- CINDERELA SEM PÉ – Malformação Congênita
- O PEQUENO POLEGAR QUE NÃO CONSEGUIA CAMINHAR – Paralisia Cerebral
- JOÃO SEM BRAÇOS E O PÉ DE FEIJÃO – Malformação Congênita
- PINÓQUIO DAS MULETINHAS – Paralisia Cerebral
- CÓCEGAS NA FLORESTA – JOÃO E MARIA – Surdez
- O SEGREDO DE RAPUNZEL – Malformação Congênita
- A BELA AMOLECIDA – Doença Neuromuscular
- ALADOWN E A LÂMPADA MARAVILHOSA – Síndrome de Down
- ALICE NO PAÍS DA INCLUSÃO – Autismo

Detalhes: http://www.imaginancia.com.br/

 

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ESPETÁCULO DO GRUPO THOLL COM AUDIODESCRIÇÃO NA UFRGS

A UFRGS está organizando o Congresso “As Fronteiras da Extensão”. Além de palestras e oficinas diversas (com recursos de acessibilidade sempre que solicitado na inscrição), os participantes poderão assistir ao espetáculo Exotique, do grupo Tholl (http://www.grupotholl.com), no dia 8/11 às 20h, na Reitoria da UFRGS.

Essa sessão vinculada ao seminário será apenas para os participantes inscritos e contará com audiodescrição. A inscrição para o Congresso custa apenas R$ 10,00 e vai até o dia 28 de outubro. Podem inscrever-se tanto alunos da UFRGS quanto a comunidade em geral.

Inscrições: http://www6.ufrgs.br/5cbeu/?p=1264

Fone: 3308 3977/ 3308 3091

Observação: o participante deve mencionar no momento da inscrição que deseja assistir ao Tholl com audiodescrição.

 

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CURSO EM PORTO ALEGRE SOBRE AUDIODESCRIÇÃO DE PRODUTOS CULTURAIS
de 03/11 a 08/12 de 2011

quintas | 18:30 – 22:30
sábados | 09:00 – 13:00
40 horas

Aulas teóricas e práticas sobre o emprego da audiodescrição, recurso que promove acessibilidade aos mais diversos produtos culturais e educacionais, tais como peças e obras em exposição, filmes e vídeos, ilustrações e fotogra­fias, imagens de sites e apresentações teatrais.

 

O curso abordará técnicas de roteirização e narração de audiodescrição, incluindo noções básicas de gravação, edição e mixagem.

Valor:
R$ 240,00 – profissional

R$ 180,00 – estudante e sócio do Inter em dia – Vagas limitadas

 

Detalhes:
fone: (51) 32304669

e-mail: museu@internacional.com.br

site: http://acessibilidadecultural.wordpress.com/

 

 

 

 

O depoimento de quem trabalha para tornar o Planetário acessível

Para quem leu a postagem anterior, em que conto a minha experiência no Planetário da UFRGS, indico a leitura do texto que segue abaixo, da autoria de Marcelo Cavalcanti da Silveira. Teremos a oportunidade agora de, através de suas palavras, conhecer o “outro lado” dessa história. O autor descreve seus esforços e o processo, que segue em andamento, para tornar o local acessível.

 

Audiodescrição Possível,

O Caminho das Estrelas

Autor: Marcelo Cavalcanti da Silveira – jornalista

 

“Eu não posso fazer tudo; contudo, posso fazer algo. E porque não posso fazer tudo, não recusarei o algo que eu posso fazer.” (Edward E.Hale)
Quando comecei a trabalhar no Planetário, ouvi histórias de cegos que iam “assistir” as sessões. Eu me perguntava o que eles “veem”? Os cegos e pessoas com baixa visão com certeza ouviam a música e as narrações, mas e as imagens?

Na reunião da ABP (Associação Brasileira de Planetários) no Rio de Janeiro em novembro de 2010, ouvi o colega Marcos Calil de SP falar sobre acessibilidade para cegos nas sessões de planetário e apresentar alguns problemas e soluções para descrever o céu para as pessoas que não veem da forma dita convencional, os cegos e as com baixa acuidade visual. Uma primeira semente. A experiência de SP infelizmente se resumiu a uma única sessão.

Em maio deste ano,  no Curso de Acessibilidade em Ambientes Culturais na UFRGS, tive um contato mais de “perto” com o que é a audiodescrição (AD). Assisti a um curta metragem com audiodescrição, meu primeiro filme ouvido. Nesta época, tinha recém terminado a produção do programa audiovisual de planetário em comemoração aos 50 anos do homem no espaço, “O caminho das Estrelas”. E consequentemente surgiu a vontade, ou melhor o sonho, de “ver” o programa acessível a cegos. E comecei a procurar parceiros e as soluções possíveis.

O tempo foi passando, a falta de recursos técnicos e financeiros, o desinteresse das pessoas em colaborar, inclusive de audiodescritores – que não embarcaram nesse sonho, não me fizeram desistir. Fui tateando no escuro, procurando uma luz no fim do túnel. Ciente das dificuldade que viriam, mas com a certeza que é possível fazer a AD. Segui neste caminho com a determinação que a lembrança e o exemplo de Yuri Gagarin me proporcionam. É verdade, tive vontade de jogar tudo longe e me pasmar na mesmice. Mas segui, e mesmo que a AD do Caminho das Estrelas não fique perfeita (será que tem de ser perfeita?), não fique “profissional”, ela terá o valor do meu sonho. O sonho de fazer a diferença, por menor que ela seja.

A minha visão sempre foi predominantemente poluída pela imagem, afinal minha maior experiência na Comunicação é a Televisiva – fui durante muito tempo repórter cinematográfico e produtor de TV. A partir do convívio com as particularidades comecei a experimentar não mais ver, mas sentir as imagens. Vibrar com as sensações que a ideia do céu estrelado me proporcionam e tentar descrever não mais com imagens, mas com as palavras, das quais não sou muito afeto, o que sentia. Minha relação com as coisas do céu é puramente empírica e se resume a observação do céu, a leitura de alguns (poucos) livros e a prática diária de quase sete anos passando sessões de planetário para diversos públicos. Aldebarã, a estrela mais brilhante do Touro, é vermelha, Júpiter, o maior planeta, brinca de ser estrela e Plutão, ah, Plutão é anão. O céu que vemos é real ou será apenas uma imagem do passado distorcida pela atmosfera.

No curso de Inclusão e Acessibilidade no Ensino Superior conquistei uma habilidade: perceber que a acessibilidade começa com o Amor e com se tornar acessível, talvez o maior desafio. Com isso em mente tento fazer a AD do Caminho das Estrelas.

Coríntios,13 – Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos, se não tivesse amor…Nada seria

Para mim, o importante é que todos somos (praticamente) iguais. Somos seres humanos, filhos do mesmo planeta Terra e que todos nós temos o mesmo direito de aqui estar e de ser feliz. As diferenças são na verdade “particularidades”, e as chamadas deficiências podem ser contornadas com a inteligência e tecnologia movidas pela vontade. A inclusão é, portanto direito “divino” que conquistamos como o nosso dever de fazer o mundo melhor e igual para todos.

De coração, espero que esta minha “loucura” de fazer do nada uma AD, incentive aos profissionais da área a se preocuparem com acessibilidade do céu (do planetário) para todos. Não posso deixar que agradecer aos poucos, mas valentes, que me incentivaram e ajudaram com suas ideias, sugestões e apoio. Aos amigos e os colegas do Programa Incluir, meu muito obrigado.

Finalizando cito as palavras da jornalista Mariana Soares no seu blog Três Gotinhas, e por isso eu acho que vale a pena, (nem que seja só tentar).

 

Quando penso na audiodescrição, ainda me parece um sonho. Um universo infinito a ser explorado e desvendado em cada detalhe. Audiodescrição, em outras palavras, significa liberdade, autonomia, igualdade e respeito às diferenças. O acesso à cultura, ao entretenimento e à informação resgata o sentimento de pertencimento e de integração a um contexto, até então, inacessível e distante.

Às vezes tenho medo de acordar desse sonho e descobrir que é mentira. Sei que é real e que está aí. Meu maior receio talvez seja o de que esse recurso não seja disseminado e incorporado às salas comerciais de cinemas, teatros e espetáculos.

….

O meu sonho, nesse sentido, é estar viva para presenciar o dia em que todos os espetáculos, filmes e eventos tenham audiodescrição. Quero que Jorge Rein possa um dia reescrever esse texto sem precisar apontar os raros locais que viabilizam a audiodescrição no país, mas criticando e apontando especificamente aqueles que ainda não a possuem – constituindo-se eles de exceções, alvo de rechaça e contestação de toda a sociedade. Espero que isso não seja apenas um sonho, mas uma realidade possível e, a cada dia, mais próxima.

(Mariana Baierle Soares, http://tresgotinhas.wordpress.com/2011/10/06/autonomia-e-liberdade-um-sonho-possivel/)

 

Marcelo Cavalcanti da Silveira, jornalista

Porto Alegre, outubro de 2011.