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Documentário Olhares será exibido pela TVE para todo Rio Grande do Sul

O documentário “Olhares” será exibido em “Recortes”, faixa especial de documentários da TVE, para todo o Rio Grande do Sul no próximo dia 2 (sábado), às 22h, com reprise no dia 6 (quarta-feira) às 23h30. A TVE é a emissora pública do Estado, canal aberto, sintonizada pelo canal 7 em Porto Alegre.

No filme, pessoas cegas e com baixa visão contam suas experiências no acesso ao teatro, exposições, cinema, literatura, música e entretenimento. A obra conta com audiodescrição – recurso de acessibilidade que permite acesso a pessoas com deficiência visual – e legendas – que se destinam ao público com deficiência auditiva.

Trata-se de uma produção independente, produzida em caráter acadêmico e dirigida por Felipe Mianes (historiador e doutorando em Educação pela UFRGS) e Mariana Baierle (jornalista e mestre em Letras pela UFRGS) – ambos com deficiência visual.

Segundo Mianes, o objetivo do trabalho é dar voz às pessoas com deficiência visual, destacando suas potencialidades na relação com o mundo artístico e cultural. “Queremos mostrá-las como protagonistas de suas trajetórias de vida, para além dos estereótipos e das restrições”, afirma ele.

Desde os entrevistados até os diretores de Olhares são indivíduos com diferentes graus de deficiência. Mariana Baierle comenta que ainda existe a ideia de que o deficiente visual é apenas o cego. “No documentário buscamos dar espaço também às pessoas com baixa visão (aquelas com acuidade visual inferior a 30%), que possuem peculiaridades e representam a maioria entre os deficientes visuais”, afirma ela.

É apenas de inclusão que precisamos? O que seria realmente a inclusão? O encontro convida à reflexão e ao debate sobre essas e outras questões trazidas no filme.

FICHA TÉCNICA

Título: Olhares

Gênero: documentário

Ano: 2012

Direção: Felipe Leão Mianes (historiador e doutorando em Educação pela UFRGS) e Mariana Baierle (jornalista, mestre em Letras pela UFRGS e editora do Blog Três Gotinhas). Ambos com deficiência visual, são pesquisadores na área da produção cultural e prestam consultoria sobre acessibilidade e audiodescrição

Sinopse: Documentário sobre o acesso à cultura por pessoas com deficiência visual. Indivíduos cegos e com baixa visão trazem diferentes olhares sobre suas próprias experiências de vida, debatendo os problemas e as potencialidades de sua inclusão cultural por meio de recursos como a audiodescrição. Relatos que nos desafiam a refletir: É apenas de inclusão que precisamos? O que seria realmente a inclusão?

Curso “Audiodescrição e suas intersecções com a Educação” tem inscrições abertas

Estão abertas as inscrições para o curso de extensão “Audiodescrição e suas intersecções com a Educação”, da Faculdade de Educação da UFRGS (Av. Paulo Gama, 110 – Centro Histórico – Porto Alegre/ RS). As aulas ocorrem de 16 de março a 29 de junho, sempre aos sábados pela manhã.

O curso destina-se a professores de todas as áreas do conhecimento, pedagogos, profissionais que atuam em museus, bibliotecas, teatros e centros culturais, produtores culturais, comunicadores e gestores culturais (alunos da UFRGS ou da comunidade externa).

As atividades são oferecidas pela equipe da Tagarellas Audiodescrição, tendo como coordenadores Felipe Mianes (historiador e doutorando em Educação pela UFRGS) e Mariana Baierle (jornalista e mestre em Letras pela UFRGS) – ambos com baixa visão e Audiodescritores Consultores. Como professoras convidadas estão Mimi Aragon (publicitária e Roteirista de Audiodescrição) e Marcia Caspary (locutora, Roteirista e Narradora de Audiodescrição). Toda equipe da Tagarellas Audiodescrição tem formação específica na área e experiência em audiodescrição de livros, materiais didáticos, exposições de arte, peças de teatro, cinema, espetáculos de dança, seminários e eventos.

Este curso tem o objetivo de instrumentalizar profissionais da área da Educação – não somente da Educação restrita à sala de aula, mas da Educação como um todo, envolvendo diversos ambientes culturais – para que conheçam o recurso e possam aplicá-lo de modo a tornar os espaços culturais acessíveis a todos. Tendo em vista que a formação de um audiodescritor profissional não caberia em apenas um semestre de extensão universitária, busca-se, neste curso, proporcionar uma formação inicial acerca do recurso, da legislação brasileira e da discussão acerca da ampliação de sua aplicabilidade e das intersecções com o campo da Educação.

A carga horária é de 60 horas, com valor único de R$ 350,00, com certificação pela Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS. Todas as informações referentes às inscrições, cronograma, ementa e bibliografia estão no blog do curso: http://educadfaced.blogspot.com.br.

Documentário Olhares será exibido na Mostra de Curta Metragem Acessível para Pessoas com Deficiência em Novo Hamburgo/ RS

A Fundação Liberato apresentará no dia 10 de dezembro de 2012 a Mostra de Curta Metragem Acessível para Pessoas com Deficiência. O evento ocorrerá às 8 horas no Auditório da Fundação Liberato. Nesta ocasião ocorrerá um debate que promoverá reflexões para o estabelecimento de uma proposta que oriente aos idealizadores de peças audiovisuais em sua produção para que sejam estética e tecnicamente acessíveis, com a apreciação crítica de cegos e surdos. Deste modo, com iniciativas como esta será possível a ampliação do acervo das produções fílmicas com ferramentas de acessibilidade para o vasto público de pessoas com deficiências visuais e auditivas. A Mostra é uma das propostas articuladas ao processo de planejamento e desenvolvimento para a concepção de um Centro de Referência de Tecnologias Assistivas que está sendo idealizado pela Fundação Liberato.

Fonte: http://www.liberato.com.br/UserFiles/File/noticias/release%20mostra%20acess%C3%ADvel%20para%20pessoas%20com%20deficienciasx.pdf

Entrevista: Mariana Baierle, jornalista

Abaixo entrevista que dei para os alunos do curso de Jornalismo da UFRGS, na disciplina Seminário de Tecnologia.

Por: Bruna Linhares, 03 de Dezembro de 2012

A porto-alegrense Mariana Baierle tem 27 anos, é jornalista, formada pela PUCRS e mestre em Letras, pela UFRGS. Desde setembro, ela apresenta um quadro sobre acessibilidade no programa Cidadania, da TVE. Mariana, que possui baixa visão desde que nasceu, tornou-se a primeira jornalista com essa característica a apresentar um quadro fixo em uma emissora de televisão aberta. Além do trabalho na TVE, a jornalista também é editora do blog Três Gotinhas, professora no curso de extensão “Educação, Cultura e Acessibilidade” da Faculdade de Educação da UFRGS, além de prestar consultoria de audiodescrição e acessibilidade. Na entrevista a seguir, concedida ao Cultura para Ver, Mariana Baierle fala um pouco sobre a sua trajetória acadêmica, suas atividades profissionais e sobre acessibilidade.

CULTURA PARA VER – És graduada em Jornalismo e mestre em Letras. Enfrentaste alguma dificuldade com relação à falta de acessibilidade ao longo da tua formação? E como avalia os currículos dos cursos com relação à inclusão?

MARIANA BAIERLE – Eu enfrentei, sim, diversas dificuldades ao longo da minha formação. Mas essas dificuldades não foram apenas em função de ter uma deficiência visual. Eu diria que, em primeiro lugar, enfrentei as mesmas dificuldades ou exigências que meus colegas sem deficiência: conciliar faculdade e estágio ou emprego, cumprir prazos, fazer provas, entregar trabalhos, fazer diversas disciplinas ao mesmo tempo etc.

A questão da deficiência esteve, sim, presente e, em alguns momentos, eu senti muitas dificuldades. Os professores e os próprios currículos dos cursos não estão preparados para alunos com qualquer tipo de deficiência. Na Comunicação, a questão da imagem é muito forte e muito cobrada pelos professores. Não há nenhuma disciplina sobre audiodescrição ou acessibilidade na mídia, pelo menos dentro dos cursos de Jornalismo que conheço. É algo que as instituições de ensino precisam aprimorar com urgência.

Na área de Letras é a mesma coisa. No mestrado não tive nenhuma disciplina voltada para essas questões de acessibilidade e inclusão de alunos com deficiência. E esse é um curso que forma professores, que irão trabalhar com alunos com e sem deficiência. Algo realmente preocupante.

CV – Tu és uma das responsáveis pelo documentário Olhares, tem o blog Três Gotinhas, e apresenta um quadro sobre acessibilidade na TVE. Como e por que começastes com estes trabalhos voltados para a inclusão?

MARIANA – Todo o meu interesse por estudar e trabalhar com questões de acessibilidade começou na UFRGS, quando entrei em contato com o pessoal do Programa Incluir. Comecei a ser atendida por esse programa, que adapta materiais didáticos para alunos com algum tipo de deficiência. Comecei a me interessar por esse tipo de trabalho, não só como aluna atendida, mas também sob o ponto de vista profissional. Lá conheci pessoas maravilhosas que me deram força, até para assumir mais minha deficiência visual e aprender como lidar da melhor forma possível com isso. Aos poucos fui fazendo cursos, escrevendo no meu blog Três Gotinhas sobre esses temas, participando de grupos de estudo e projetos de pesquisa envolvendo audiodescrição e acessibilidade num plano mais amplo, além de dirigir o documentário Olhares em parceria com meu amigo Felipe Mianes.

Hoje já ministro um curso de extensão na Faculdade de Educação da Ufrgs e me orgulho muito de todos esses trabalhos. Essas atividades podem atingir e beneficiar outras pessoas com e sem deficiência. Muitas pessoas com as quais converso sobre as dificuldades enfrentadas por aqueles com deficiência acabam se tornando multiplicadoras desse ideal de um mundo mais acessível para todos e levando essa consciência adiante. Ver que essas questões estão se multiplicando não tem preço, pois sinto que aos poucos a realidade começa a melhorar.

CV – Achas que ainda existe muito preconceito ou falta de informação das pessoas com relação àqueles que possuem cegueira ou baixa visão?

MARIANA – Sim, a falta de informação está por toda a parte. E isso acaba levando ao preconceito e a atitudes que, muitas vezes, podem ofender a pessoa com deficiência. Acredito que, aos poucos (ainda de forma mais lenta do que o esperado), essa realidade está mudando. O convívio maior com as pessoas com deficiência através de sua inserção em diversos ambientes (escola, universidade, mercado de trabalho, centros culturais) ajuda bastante na quebra de paradigmas e de estereótipos. Gradativamente estamos modificando aquelas ideias antigas de que a pessoa com deficiência não pode fazer nada, não pode trabalhar, ter amigos, frequentar a escola, sair de casa, interagir com as pessoas, constituir uma família etc.

CV – Como está sendo a experiência na televisão? Estás tendo retorno do público?

MARIANA – É a primeira vez que estou trabalhando em uma TV. Foi algo totalmente por acaso, jamais havia pensado ou planejado trabalhar em uma TV. Sempre pensei em seguir no jornalismo impresso ou online por gostar muito de escrever e entrevistar pessoas. Estou gostando da experiência e do aprendizado. Acho que estou me saindo bem, apesar de ser tudo muito novo para mim. Muitas pessoas comentam sobre a importância de uma jornalista com deficiência estar ocupando esse espaço para falar sobre acessibilidade. Creio que realmente seja importante para mostrarmos à sociedade que o fato de eu – ou de outra pessoa – ter uma deficiência não é um impeditivo para que exerça minhas atividades profissionais. Tenho pequenas adaptações no ambiente de trabalho, mas isso ocorre para qualquer pessoa – cada profissional tem perfil para uma função, para um estilo de trabalho, um ritmo próprio. E o mesmo acontece comigo e com outras pessoas com deficiência.

CV – Quais medidas simples tu achas que poderiam ser implementadas em ambientes públicos, culturais, etc., para melhorar a acessibilidade e a inclusão de pessoas com cegueira e baixa visão?

MARIANA – Em primeiro lugar a desobstrução dos caminhos e calçadas. As calçadas de Porto Alegre são terríveis, totalmente esburacadas, quebradas, irregulares. Há sacos de lixo no caminho, entulho de obras, fios de aço atravessados, orelhões sem sinalização, postes, placas etc. A população e os órgãos públicos deveriam cuidar e preservar as calçadas, mas ninguém parece estar preocupado com isso.

Nos espaços culturais, mesmo que em ambientes fechados, também ocorre de termos corredores obstruídos com diversos obstáculos. As pessoas precisam se dar conta que uma cadeira no meio do caminho pode não ser nada grave para quem enxerga, mas para quem tem deficiência visual isso já representa um risco para acidentes. Medidas simples como essas – desobstruir calçadas, corredores e caminhos por onde as pessoas circulem. Isso irá ajudar a pessoa com deficiência visual, mobilidade reduzida, cadeirante, a mãe que empurra um carrinho de bebe,etc.

Fonte:
http://projetotransmidia.wix.com/culturaparaver#!posts/cmr