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Felipe Mianes fará conferência sobre audiodescrição na Universidade Autonôma de Barcelona

O audiodescritor e sócio da Tagarellas Audiodescrição, Felipe Mianes, conduzirá a conferência Pessoas com deficiência visual e a audiodescrição: perspectivas e possibilidades na Faculdade de Tradução Visual da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), na Espanha, na tarde da próxima quarta-feira, dia 7. Para quem estiver na Capital da Cataluña, o evento ocorre no salão 2, às 16h15.

A proposta é abordar o universo das pessoas cegas e com baixa visão, suas diferenças, modos de vida e particularidades. Ao longo da conferência, Felipe pretende promover o debate sobre a importância da audiodescrição para esse público e defender seu papel na equipe de audiodescrição. Também tratará das perspectivas de prática e pesquisa, como a possibilidade de protagonismo das pessoas com deficiência visual na produção e no estudo da AD e a ampliação das áreas de conhecimento que investigam a temática.

Felipe, 31 anos, é graduado em História pela PUC-RS, mestre e doutorando em Educação pela UFRGS. Desde setembro do ano passado realiza intercâmbio acadêmico na UAB e deve retornar ao Brasil no final de maio.

Fundação Liberato e Tagarellas oferecem curso sobre audiodescrição

As inscrições estão abertas e as aulas, sempre aos sábados, vão de 26 de abril a 7 de junho, em Novo Hamburgo/RS

A Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, de Novo Hamburgo/RS, oferece o curso Introdução à audiodescrição: traduzindo imagens com palavras, ministrado pela equipe da Tagarellas Audiodescrição. As inscrições estão abertas pelo e-mail dppi@liberato.com.br. Serão seis encontros, aos sábados pela manhã e à tarde, com início dia 26 de abril e término em 7 de junho, totalizando 42 horas/aula.

O curso tem caráter introdutório, visando apresentar as potencialidades da audiodescrição e sua relação com a educação e a formação cultural dos sujeitos com deficiência visual. Estão previstas atividades teóricas e práticas, com espaço para debate e partilha de experiências.

O público-alvo é constituído por professores, produtores culturais, cineastas, artistas, pesquisadores, comunicadores, guias turísticos, profissionais que atuam com acessibilidade em todas as áreas e demais interessados. Haverá certificado de participação para aqueles que tiverem frequência mínima de 75% e realizarem todas as atividades previstas. O investimento é de R$ 240,00 (em 3 parcelas de R$ 80,00 ou com 5% de desconto para pagamento à vista). As vagas são limitadas.

SERVIÇO

O quê: Curso Introdução à audiodescrição: traduzindo imagens com palavras, promovido pela Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha e ministrado pela Tagarellas Audiodescrição.

Ministrantes: Felipe Mianes (historiador, mestre em Educação, doutorando em Educação pela UFRGS e audiodescritor consultor); Kemi Oshiro (jornalista, mestranda em Cinema pela Universidade Pompeu Fabra, audiodescritora roteirista e narradora); Marcia Caspary (locutora, atriz, audiodescritora narradora e roteirista); Mariana Baierle (jornalista, mestre em Letras pela UFRGS e audiodescritora consultora) Mimi Aragón (publicitária, audiodescritora roteirista e produtora).

Carga horária: 42 horas/aula.

Datas: aos sábados (26/4, 3/5, 10/5, 17/5, 24/5 e 7/6), das 9h às 12h e das 13h às 17h.

Local: Escola Técnica Fundação Liberato Salzano Vieira da Cunha (Rua Inconfidência, 395 – bairro Primavera – Novo Hmburgo/RS).
Inscrições: dppi@liberato.com.br

Detalhes sobre o curso: Página sobre cursos de extensão no site da Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha ou pelo fone (51) 3584 2010.

Investimento: R$ 240,00 (em 3 parcelas de R$ 80,00 ou 5% de desconto à vista).

Vagas limitadas.

Mais informações sobre a Tagarellas Audiodescrição: http://tagasblog.wordpress.com

A audiodescrição como parte do espetáculo

Nesse final de semana tive a alegria de assistir algo inédito no Brasil: a primeira peça de teatro feita com audiodescrição aberta. Ou seja, não havia fones de ouvido na sala e todo o público pode escutar a audiodescrição da peça “A menina do cabelo vermelho”, da Las Brujas Companhia de Arte e Feitiço. O espetáculo contou a história de Filó (interpretada por Lolita Goldschmidt), uma menina sonhadora que tem o cabelo vermelho e vive no mundo preto e branco. Com muita imaginação, alegria e descontração Filó viaja pelo mundo e por lugares coloridos, conhece diferentes pessoas, culturas e sensações.

Como consultora da Tagarellas Audiodescrição, tive o privilégio de assistir todos os ensaios diariamente uma semana antes da sessão com AD e Libras (que ocorreu nesse último sábado, 18/01). Tive um sentimento único ao presenciar a AD sendo ensaiada junto com a peça. Isso para mim foi algo único e muito significativo, pois os atores e o diretor realmente incorporaram a AD como parte importante do espetáculo.

Até pelo fato da AD ser aberta, não havia como os atores não prestarem atenção nas descrições. Todos foram extremamente generosos com a equipe da AD, repetindo cenas e nos indicando deixas ou momentos importantes da peça e até se preocupando com os intervalos para que pudéssemos descrever. Obviamente a não queríamos que a AD interferisse na peça, o que de fato não aconteceu. Conseguimos, com todos os ensaios, adequar os tempos da AD ao tempo do espetáculo.

No grande dia da apresentação foi tocante ouvir a voz de Livia Dávalos no microfone, no mesmo volume da voz dos atores. Toda plateia que lotou o Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo, em Porto Alegre, escutou a descrição do cenário, figurinos, ações e expressões dos personagens.

A AD realmente fez parte daquele espetáculo. Não soou estranho ou artificial, mas trouxe uma sensação de respeito e acolhimento com as pessoas cegas ou com baixa visão. Pela primeira vez quem não tinha deficiência visual precisou “adaptar-se” ao espetáculo com acessibilidade.

Acho que não foi um esforço tão grande, pois o relato de quem não tinha deficiência foi de alegria e entusiasmo, justamente por conhecer, através da peça, uma nova forma de fazer teatro. Uma formula que, com um pouco de magia e feitiço, contempla a todos – não somente aqueles que enxergam ou escutam o mundo da forma convencional.

Sempre fui uma entusiasta da AD aberta por inúmeros motivos. O primeiro é que trata-se de uma oportunidade de mostrarmos ao público em geral o que é AD. como ela acontece e o quanto ela é importante. O segundo motivo é porque melhora consideravelmente minha experiência enquanto usuária do recurso. Isso porque quando uso um fone de ouvido preciso escutar com um ouvido a AD e com outro o som ambiente do espetáculo. Há, nesses casos, um esforço maior para “montar” as duas bandas sonoras mentalmente e entendê-las como parte de um único todo.

Quando estou no cinema ou no teatro, quero me focar no enredo, nos personagens e no desenrolar da trama. Quero que a AD seja uma ferramenta para isso e que nunca seja mais importante que a produção artística em si. Quando uso um fone com a AD rente ao meu ouvido sinto como se aquele som estivesse mais perto de mim do que o som do espetáculo (e realmente está). Por consequência, é como se o áudio da AD fosse mais relevante do que o som ambiente – quando, na verdade, deveria ocorrer o contrário. A atração cultural em si sempre será o foco do espectador que vai prestigiá-la.

Em “A menina do cabelo vermelho” não foram as pessoa com deficiência visual que tiveram que ficar de fones para não incomodar os demais. Foram as pessoas que enxergam que puderam experimentar e perceber como esse recurso é fundamental para quem não pode ver.

A iniciativa de Las Brijas mostra uma nova forma de conceber o mundo. Uma nova forma de pensar em arte. Arte para todos. Teatro para todos e sem restrições. Teatro com acessibilidade já para as crianças e adolescentes, pois apostar na infância é apostar no futuro. Trazer AD e Libras já para os pequenos contribui com a formação do público infanto-juvenil, incentiva o gosto pela arte e pelo entretenimento desde cedo. As crianças que tem a oportunidade de ir a esse tipo de espetáculo hoje serão adultos com um entendimento de mundo diferente amanhã.

É por tudo isso que tenho orgulho da Las Brujas. Tenho orgulho por saber que fui parte do processo de contaminar positivamente Livia Dávalos e Lolita Goldschmidt, ex-alunas do curso de AD dado por mim, Felipe Mianes e Tagarellas no início do ano na UFRGS. Tenho orgulho em ser consultora de AD de uma peça como essa – que veio para marcar a história e a forma de fazer AD no país.

Uma nova forma de pensar a arte está surgindo. Isso me faz acreditar que, sim, podemos ser uma gotinha no oceano, mas talvez seja suficiente mudar o mundo e torná-lo mais justo e mais acessível para todos.

Por mais debates como o da visita a Pés-Columbinos

Foi um acontecimento tocante a visita guiada à exposição de fotografias Pés- Columbinos, de Leandro Michel Antonelo Pereira, promovida pela Tagarellas Audidoescrição no último dia 8 de novembro, em Porto Alegre/RS. Um grupo com aproximadamente dez pessoas, a maioria com deficiência visual, acompanhou a descrição das fotos na Carmen Medeiros Galeria de Arte. No fim da visita, houve um bate-papo com o artista.

A experiência foi fantástica, pois as pessoas fizeram perguntas, comentários e observações sobre as fotos só possíveis pelo acesso que tiveram a partir da audiodescrição. As questões abordaram o processo de criação, as razões do tema escolhido para a mostra, as inspirações do artista, o trabalho de edição das fotografias, as camadas de imagens e o sentimento expresso em cada uma delas.

O que mais me deixou satisfeita foi ver as pessoas discutindo arte, tendo elementos para apreciá-la e interagir com o artista. O enfoque do evento não foi o fato de a visita ter audiodescrição, mas o ineditismo do trabalho do Leandro, um artista inquieto, cujas fotografias brincam com a oscilação entre a realidade e a abstração. As imagens impactaram o público.

E é exatamente isso que queremos: que as pessoas com deficiência lotem as galerias de arte, as bibliotecas, os museus, as salas de cinema e teatro, podendo vivenciar e experimentar diferentes produções e atrações culturais. Porque esses espaços também devem ser ocupados pelo público com deficiência.
E o que nós, da Tagarellas, queremos é que cada vez mais as pessoas tenham embasamento para julgar se gostam ou não de determinado produto cultural. Queremos instrumentalizar o público para que mais debates como o que houve na exposição Pés-columbinos possam ocorrer. Parabéns, Leandro! E parabéns ao público pelas perguntas que fizeram da visita guiada um acontecimento tão marcante.

Fonte: http://tagasblog.wordpress.com/2013/11/27/por-mais-debates-como-o-da-visita-a-pes-columbinos/