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Olhares na Feira do Livro de Novo Hamburgo/RS

No próximo dia 29 de Novembro (quinta-feira), das 16h30 às 18h30, será exibido o documentário Olhares, como parte da programação da 30º Feira Regional do Livro de Novo Hamburgo (Teatro do Centro de Cultura – Rua Engenheiro Inácio Cristiano Plangg, nº 66 – Centro). No filme, pessoas cegas e com baixa visão contam suas experiências no acesso ao teatro, exposições, cinema, literatura, música e entretenimento.

A obra conta com audiodescrição – recurso de acessibilidade que permite acesso a pessoas com deficiência visual – e legendas – que se destinam ao público com deficiência auditiva. Trata-se de uma produção independente dirigida por Felipe Mianes, historiador e doutorando em Educação pela UFRGS, e Mariana Baierle, jornalista e mestre em Letras – ambos com deficiência visual. A exibição será seguida por um debate com os diretores.

Segundo Mianes, o objetivo do trabalho é dar voz às pessoas com deficiência visual, destacando suas potencialidades na relação com o mundo artístico e cultural. “Queremos mostrá-las como protagonistas de suas trajetórias de vida, para além dos estereótipos e das restrições”, afirma ele.

Desde os entrevistados até os diretores de Olhares são indivíduos com diferentes graus de deficiência. Mariana Baierle comenta que ainda existe a ideia de que o deficiente visual é apenas o cego. “No documentário buscamos dar espaço também às pessoas com baixa visão (aquelas com acuidade visual inferior a 30%), que possuem peculiaridades e representam a maioria entre os deficientes visuais”, afirma ela.

É apenas de inclusão que precisamos? O que seria realmente a inclusão? O encontro convida à reflexão e ao debate sobre essas e outras questões trazidas no filme.

A atividade terá duração de duas horas e tem entrada franca.

FICHA TÉCNICA

Título: Olhares

Ano: 2012

Direção: Felipe Leão Mianes (historiador e doutorando em Educação pela UFRGS) e Mariana Baierle Soares (jornalista, mestre em Letras pela UFRGS e editora do Blog Três Gotinhas). Ambos com deficiência visual, são pesquisadores na área da produção cultural e prestam consultoria sobre acessibilidade e audiodescrição

Gênero: documentário

Sinopse: Documentário sobre o acesso à cultura por pessoas com deficiência visual. Indivíduos cegos e com baixa visão trazem diferentes olhares sobre suas próprias experiências de vida, debatendo os problemas e as potencialidades de sua inclusão cultural por meio de recursos como a audiodescrição. Relatos que nos desafiam a refletir: É apenas de inclusão que precisamos? O que seria realmente a inclusão?

Espetáculo de dança contemporânea na Biblioteca Pública do RS terá audiodescrição da Tagarellas Produções no dia 10 de novembro

Com entrada franca, Não Me Toque Estou Cheia de Lágrimas – Sensações de Clarice Lispector estará acessível a pessoas com deficiência visual em Porto Alegre

Não Me Toque Estou Cheia de Lágrimas – Sensações de Clarice Lispector, espetáculo do GEDA Companhia de Dança Contemporânea, terá uma de suas sessões acessível a quem tem deficiência visual. Será no próximo sábado, dia 10, a partir das 17h, na Biblioteca Pública do Rio Grande do Sul (Rua Riachuelo, 1190 – na esquina da Rua General Câmara, atrás do Palácio da Justiça), em Porto Alegre. A produção da audiodescrição é assinada pela Tagarellas Produções, com roteiro de Mimi Aragón, consultoria de Felipe Mianes e Mariana Baierle e narração de Marcia Caspary. O espetáculo tem entrada franca, mas a lotação máxima é de 40 pessoas. As senhas devem ser retiradas no dia da apresentação, na própria Biblioteca, a partir das 16h. A audiodescrição, que incluirá um breve relato da coreógrafa Maria Waleska Van Helden, inicia-se às 17h20 e o espetáculo, às 18h.

Concebido por Maria Waleska e dirigido cenicamente por João de Ricardo, o espetáculo de 45 minutos, distribuídos em três atos, percorrerá seis ambientes da Biblioteca Pública, cujo prédio está sendo restaurado desde 2006 e foi parcialmente reaberto ao público no final de outubro. As pessoas cegas ou com baixa visão acompanharão a ação com a ajuda de guias e poderão conhecer detalhes sobre os cenários, figurinos, iluminação, movimentos, gestos, expressões, projeções e tudo o que for relevante para a compreensão da narrativa coreográfica. Um equipamento portátil de transmissão e recepção de áudio dará à narradora da audiodescrição e ao público a mobilidade necessária nas dependências da Biblioteca.

Os três atos de Não Me Toque Estou Cheia de Lágrimas – Sensações de Clarice Lispector (Nascimento, Infância e Compulsão) foram inspirados na vida da escritora nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, que morreu em 1977, tempos depois de conceder entrevista histórica à TV Cultura (http://youtu.be/djj_gdxUrPI”), uma das referências utilizadas por Maria Waleska na concepção da coreografia. A bailarina solista que dá vida à Clarice é Fabiane Severo. Catarina Leite Domenici assina a trilha sonora ao lado de James Correa e participa do espetáculo com piano e voz.

. Não Me Toque Estou Cheia de Lágrimas – Sensações de Clarice Lispector.
. Sessão com audiodescrição no dia 10 de novembro, sábado.
. Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul (Rua Riachuelo, 1190 – na esquina da Rua General Câmara, atrás do Palácio da Justiça).
. Início da audiodescrição às 17h20. Espetáculo começa às 18h.
. Entrada franca.
. 40 lugares.
. Senhas distribuídas no local, no dia da apresentação, a partir das 16h.
. Produção do espetáculo: GEDA Companhia de Dança Contemporânea.
. Produção da audiodescrição: Tagarellas Produções.
. Informações sobre a audiodescrição: tagarellasproducoes@gmail.com | (51) 8118.9814 e (51) 8451.2115.

(descrição do cartaz digital)
O cartaz do espetáculo é vertical. O texto, em vermelho e branco, foi aplicado sobre uma fotografia colorida. Nela, à esquerda, uma mão feminina de lado segura, entre o indicador e o dedo médio, um cigarro aceso. A palma está apoiada na folha de madeira crua de uma janela ou porta entreaberta. Uma luz suave sobre os dedos destaca a fumaça esbranquiçada do cigarro. Ao fundo, desfocada, uma superfície decorada com arabescos. A cremona da janela ou porta é dourada e tem desenhos rebuscados. À direita, por trás da vidraça esverdeada e com relevo floral, insinua-se a tênue silhueta da mulher que fuma. De frente, ela comprime levemente os dedos da outra mão contra a vidraça. O texto do cartaz está em caracteres como os das máquinas de escrever. Em um rodapé branco, logo abaixo da foto, as logomarcas dos patrocinadores, apoiadores e realizadores.

Ministério da Cultura e Triunfo Concepa apresentam…
Não me toque estou cheia de lágrimas. Sensações de Clarice Lispector.
Data: de 03 a 11 de novembro de 2012.
Local: Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul. Rua Riachuelo, 1190 – Centro – Porto Alegre.
Horário: 20h.
Nos dias 04, 10 e 11 de novembro, sessões duplas às 18h e às 20h.
No dia 10, às 18h, sessão para deficientes visuais com audiodescrição.
Entrada Franca. Senhas no local com 2 horas de antecedência.
Patrocínio: Lei de Incentivo à Cultura e Triunfo Concepa.
Apoio: Avante Filmes, Severo Roth – Desde 1963 e BPE – Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul.
Realização: Secretaria da Cultura – Rio Grande do Sul – Governo do Estado, Ministério da Cultura, Brasil – Governo Federal – País Rico é País Sem Pobreza.
(fim da descrição)

A primeira turma e gente nunca esquece…

O curso de extensão “Educação, Cultura e Acessibilidade” (da Faculdade de Educação da UFRGS) que eu e Felipe Mianes estamos ministrando (juntamente com outros professores convidados) está me trazendo uma enorme satisfação e orgulho dos nossos alunos.

Na última terça-feira demos a sétima aula de um total de 12. Fico feliz com os resultados alcançados até agora. E, ao mesmo tempo, com o coração na mão por saber que já passamos da metade do curso. Pois quando uma experiência é boa, sempre queremos dar prosseguimento e queremos que ela se prolongue bastante.

Desde que o curso começou as terças-feiras tornaram-se dias alegres e desafiadores para mim. Apesar das chuvas constantes nas terças-feiras à noite e dos percalços com os equipamentos que não funcionam na Ufrgs, me sinto entusiasmada e motivada para dar aula, encontrar os alunos, trocar experiências e aprender com eles – mesmo após um dia longo com outro trabalho e muitos afazeres.

Antes do curso começar não sabia o que esperar dos alunos, que perfil teriam, se seriam interessados, participativos… Hoje posso dizer que fomos contemplada com uma turma muito especial – de pessoas empenhadas e ávidas por conhecimento.

É a minha primeira experiência como coordenadora de um curso de extensão e como docente da mesma turma ao longo de todo o semestre. Eu já tinha experiência em sala de aula e em seminários, mas não era a mesma situação. Pois sempre dei aula em turmas específicas, aulas sobre uma temática ou outra – sem uma continuidade e uma responsabilidade como estamos tendo agora.É algo prazeroso e instigante planejar um semestre de aula, cronograma e estrutura do curso, pensar no perfil da turma, nas demandas, no crescimento dos alunos…

Nessa última aula – que contamos com a participação preciosa das amigas e audiodescritoras Marcia Caspary e Mimi Aragon – fiquei realmente emocionada. Para mim a audiodescrição é algo muito sério e importante. É algo tocante e que transformou minha vida para melhor desde que conheci o recurso e comecei a estudar o tema mais a fundo.

Ver tantos alunos empenhados, fazendo perguntas e considerações sobre AD pode parecer algo simples e banal. Mas para mim não é. Foi o primeiro contato de todos com audiodescrição.

Vibrei com o esforço e empenho deles em sua primeira experiência na descrição de uma foto. Vi que, de alguma forma, conseguimos tocá-los e instigá-los a pesquisar mais sobre o assunto.

Me sinto realizada por saber que plantamos uma sementinha nessa turma. Uma semente de curiosidade e interesse pela audiodescrição. Talvez dali saíam alguns futuros audiodescritores – roteiristas, narradores ou consultores.

Certamente dali sairão professores melhor preparados e sensibilizados para trabalhar questões de acessibilidade em sala de aula. Profissionais melhor preparados para lidar com essas questões em empresas, museus, bibliotecas, espaços culturais.

Fico honrada em sentir que contribui – e sigo contribuindo com o possível – para que esses alunos multipliquem seus conhecimentos. Fico feliz ao imaginar que pessoas com deficiência poderão ser atendidas ou recebidas pelos alunos do curso e que, certamente, serão muito bem recebidas e atendidas em suas demandas.

Sei que, de alguma forma, noosos alunos – que são pessoas sensíveis e empenhadas – estarão ajudando a construir um mundo melhor. Um mundo com com mais AD, com mais rampas de acesso, com menos barreias arquitetônicas, com mais respeito, com mais educação e mais bom senso no trato com pessoas com deficiência e com mais cultura e conhecimento ao alcance de todos.

Parabéns à nossa turma! Obrigada aos alunos queridos que estão dando sentido ao nosso trabalho e me fazendo ver (de todas as formas) o quanto ainda temos que crescer e evoluir juntos na construção desse mundo mais acessível.