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A flor no caminho

Uma flor no asfalto

Uma flor na brita

Uma flor desfacelada no fogo

E transformada em cinza

(…)

No caminho não há apenas

pedras e flores mortas

Há uma flor que persiste

que sobrevive no concreto

em meio à brutalidade

(…)

Primaverno gaúcho

As estações se embaralham

Primavera e inverno emaranhados

Concorrem entre si

mantendo a ausência

de qualquer padrão

(…)

Num único dia

tudo é possível

Além do olhar

O olho às vezes me atrapalha. A visão embaraçada muitas vezes me trai. Minha retina desvairada me leva a tropeços constantes em ruas e calçadas esburacadas. Mas a rotina de tombos e tropicões me ensina também a levantar, a re-levantar e encarar a vida de diferentes maneiras.

O que a o olhar não encontra, a sensibilidade alcança.

O que a visão não reconhece, as mãos exploram.

O que o olho tem dúvida, os dedos tem certeza.

O que a retina não processa, o corpo percebe.

O que a visão não confirma, a intuição confere.

O que a visão não vê, o coração prevê.

Mundo-mundo, que tal nos reconhecermos pela essência e não pela aparência?

Mãos que se tocam

Nossas mãos se procuram

No claro e no escuro

Às vezes tateiam o ar

Mas sempre se encontram

(…)